Talvez, quem seja mais jovem não se lembre de Vanderlei representando o Brasil em uma maratona, mas esse paranaense, sobreviveu a vida difícil em Cruzeiro do Oeste e levou o nome do Brasil para os quatro cantos do mundo.

O ex-maratonista, aposentou-se das corridas, mas na noite dessa sexta-feira, 5, subiu mais uma vez ao pódio de uma maneira histórica e com uma emoção, que nenhum brasileiro poderá se esquecer.

Infância pobre

Vanderlei cresceu em uma família humilde de lavradores, onde teve que driblar os problemas ao lado dos sete irmãos, para não deixar os seus sonhos esportivos serem abandonados nas plantações. Para isso, trabalhou como boia-fria e colheu muita cana para sobreviver.

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Aos onze anos de idade, descobriu sua paixão pela corrida e começou a dar voltas na quadra da escola, diariamente. Sua paixão e dedicação em um treino incansável, fez com que ele ganhasse seu primeiro par de tênis. O presente veio de um diretor da escola, para que ele representasse a instituição na modalidade. A partir daí, um sonho nascia em Vanderlei.

A carreira

Aos 14 anos participou de sua primeira corrida, sendo vencedor e representando uma cidade do interior. Em 1994 ganhou destaque por ser bom demais: foi contratado como ‘coelho’ na França, uma pessoa que deve correr metade de uma maratona para dar ânimo aos atletas. Quando chegou aos 21 km, sentiu-se bem disposto e continuou o trajeto, vencendo em primeiro lugar.

Entre medalhas de ouro e destaque nacional e internacional, Vanderlei seguia em primeiro lugar na maratona das Olimpíadas de Atenas em 2004.

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Com vantagem em relação aos demais competidores, tudo apontava para uma vitória, mas um padre escocês o surpreendeu, entrou na pista e o derrubou. Os adversários se aproximavam e mesmo ainda atordoado com o acontecido, não desistiu: levantou, sacudiu a poeira e seguiu a corrida, chegando em terceiro lugar e ganhando uma medalha de bronze que valia ouro.

Com o fim dos jogos, Vanderlei recebeu a mais alta homenagem do COI – a Medalha Pierre de Coubertin, concedida para apenas 5 pessoas em todo o mundo, duas delas, póstumas. Poucos dias após chegar ao Brasil, Vanderlei e o jogador de vôlei de praia, Emanuel, participaram de um programa de TV, ocasião em que Emanuel, que conquistou o ouro em Atenas, tirou sua medalha do pescoço e entregou para Cordeiro. O maratonista ficou emocionado, mas recusou, alegando que já tinha a dele, que era de bronze, ‘mas valia ouro’.

A parceria entre talento, garra e humildade, prosseguiu a carreira de sucesso de Vanderlei até o dia em que decidiu encerrá-la, em abril de 2009.

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A homenagem na Rio 2016

Na noite da abertura dos jogos olímpicos da Rio 2016, Vanderlei emocionou o público ao correr com a tocha olímpica e acender a pira na Candelária, que ficará queimando até o dia do encerramento dos jogos. A presença do atleta foi elogiada pela imprensa nacional e internacional. A homenagem foi aprovada pelos internautas, além de Vanderlei ser ovacionado pelos milhares de espectadores e atletas que lotaram o Maracanã. Na noite em que o Brasil conseguiu entrar para a história com a edição mais inovadora das Olimpíadas, Vanderlei pode dizer com orgulho: Eu venci! #Vanderlei Cordeiro da Silva #Pira Olímpica #Abertura das Olimpíadas