Um grupo de hackers russos vazou arquivos médicos confidenciais relacionados à tenista Serena Williams, à jogadora de basquete Elena Delle Donne e à ginasta Simone Biles, que conquistou quatro medalhas de ouro e uma de bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, associando estas e outras atletas norte-americanos a casos de #Doping conhecidos e não revelados pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) e pelo Comitê Olímpico Internacional (COI).

O caso tem agitado o universo esportivo e gerou reações imediatas tanto de autoridades esportivas norte-americanas quanto da própria Wada, que recentemente puniu a tenista russa Maria Sharapova, que, em janeiro deste ano, durante o Aberto da Austrália, foi flagrada no exame antidoping pelo uso de Meldonium.

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Em março, quando o caso veio à tona, a russa se defendeu dizendo que usava o medicamento desde 2006 para tratar uma carência de magnésio e combater a diabetes. No entanto, em 2015 a substância entrou na lista de observação e, no início de 2016, foi proibida por ser um modulador metabólico e aumentar a performance.

O ataque ao sistema da Wada foi reivindicado pelo grupo Tsar Team (APT28), que também é conhecido como #Fancy Bears, em inglês, que pode ser livremente traduzido como Ursos Elegantes ou Ursos Extravagantes, para o português. Os cyber-espiões tiveram acesso ao banco de dados de administração do sistema antidoping e também do sistema de gestão (Adams) por meio de uma conta do Comitê Olímpico Internacional (COI) criada para a Rio 2016.

“Depois de estudo detalhado do banco de dados da Wada, nós percebemos que dezenas de atletas americanos apresentaram testes positivos”, denunciou o grupo em seu website.

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Sem meias palavras, os Fancy Bears chamaram os integrantes da Wada de corruptos e enganadores, que dão licença para certos grupos de atletas burlarem as medidas antidopings. “Os medalhistas olímpicos do Rio usaram regularmente poderosas drogas ilícitas tendo como justificativas os certificados de aprovação para uso terapêutico. Em outras palavras, só eles têm suas licenças para o doping. Esta é outra evidência de que os médicos e cientistas da Wada e do COI são corruptos e enganadores”, declararam.

A Wada confirmou o vazamento e, evidentemente negou, por meio do seu diretor-geral Olivier Niggli, as suspeitas levantadas pelos hackers. “Que seja sabido que estes atos criminosos estão a comprometer muito os esforços feitos pela comunidade mundial antidoping para restabelecer a confiança na Rússia”, disse Niggli. Por sua vez, os Fancy Bears se comprometeram a liberar mais registros confidenciais de times olímpicos de outros países.

E não se deve menosprezar a força deste importante e já conhecido grupo, que dispõe de ferramentas digitais caras e que conta com aparente patrocínio estatal.

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Diferente de outros coletivos similares, seus alvos não são informações financeiramente vantajosas, mas a captura de dados sensíveis, embaraçosos ou estrategicamente importantes conforme os objetivos políticos russos. #Serena Williams