Sentado na poltrona destinada aos convidados do programa Bem, Amigos!, do SporTV, o então técnico da seleção brasileira, Dunga, ouvia um desabafo do apresentador e principal locutor da Rede Globo, Galvão Bueno, que temia - para quem quisesse ouvir - uma desclassificação inédita brasileira à Copa do Mundo. A preocupação do narrador se justificava pelos números: o #Brasil vinha de dois empates contra Uruguai e Paraguai e era apenas o sexto colocado na tabela das #Eliminatórias, fora da zona de classificação.

Como resposta, o ex-técnico da seleção argumentou que os rivais do continente subiram de nível com o passar dos anos e que todas as equipes estavam tendo dificuldades.

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Se estava certo ou não, já não importava aos participantes do programa, muito menos ao torcedor brasileiro. Ninguém mais o queria ali. Chegara a vez de #Tite, preterido pela CBF após a Copa do Mundo de 2014, quando a entidade recolocou Dunga no cargo quatro anos depois de demiti-lo pós-Copa da África.

Apoio da imprensa

Com o peso do título brasileiro de 2015 pelo Corinthians, somado às conquistas anteriores que teve pelo mesmo time em 2011 e 2012, Tite era o preferido da sempre combativa imprensa esportiva brasileira. Só por esse fator teve tranquilidade para iniciar o trabalho assim que foi contratado no meio do mês de junho. Com os jornalistas "ao seu lado", o técnico montou sua comissão técnica, trouxe o inseparável auxiliar Cléber Xavier, fez sua primeira convocação e pavimentou a estrada para recolocar o Brasil no caminho das vitórias.

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Vitórias

Os números de Tite são irretocáveis - e ganham mais peso ainda por todos eles terem sido construídos nas Eliminatórias, sem a participação em amistosos. Logo na estreia, o ex-comandante do Corinthians viu o Brasil aplicar 3x0 fora de casa no Equador. No batismo em casa, 2x1 sobre a Colômbia com gol de Neymar, salto na tabela de classificação e tranquilidade ainda maior para seguir o trabalho.

Se ainda existia algum receio quanto uma eventual desclassificação, ele foi absolutamente dissipado na segunda rodada de Tite à frente do Brasil nas Eliminatórias. O 5x0 na Bolívia em casa e o 2x0 na Venezuela, fora, vieram para corroborar que a nova comissão técnica era, sim, a mais capaz de recolocar o Brasil no topo. Para fechar com chave de ouro o ano, o Brasil de Tite ainda fez 3x0 na Argentina em Belo Horizonte e 2x0 no Peru, em Lima, este jogado na última terça-feira.

Com 100% de aproveitamento obtido através de seis vitórias em seis jogos, 17 gols marcados e somente um sofrido, Tite não deixa dúvidas de que o cargo que hoje ocupa não poderia estar em melhores mãos.

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O "9" fixo

Dunga até tentou manter um centroavante fixo, mas esbarrou na irregularidade de Ricardo Oliveira e Jonas. Também tentou adiantar Neymar e jogar sem um "9" de origem. Igualmente, sem resultado. Com Tite, o esquema é definido e todos sabem quem é o centroavante. Destaque do Palmeiras no Brasileirão e campeão olímpico com o Brasil em 2016, Gabriel Jesus foi o escolhido por Tite e tem demonstrado em campo o acerto do treinador: em seis jogos, foram cinco gols e quatro assistências. Com esses números, não é nem necessário dizer que Gabriel tem só 19 anos.