Assim como o Santos sempre teve “Os meninos da Vila”, o time do Manchester United, naquele final da década de 1950, era conhecido como o Busby Babes (os bebês de Busby, em tradução livre. Busby era o escocês Matt Busby, técnico do time). A equipe tinha idade média de 22 anos, longe da fama e do poderio dos dias de hoje.

Com 21 anos de idade, Bobby Charlton era uma das grandes promessas para o futuro de uma equipe em franca ascensão no futebol inglês.

No dia 5 de fevereiro de 1958, o Manchester enfrentou o Estrela Vermelha pelas semifinais da Copa da Europa, em Belgrado, e empatou em 3 a 3, conseguindo a classificação, já que havia vencido o primeiro jogo, em Manchester, por 2 a 1.

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Na manhã seguinte a equipe embarcou com destino a Manchester. Pouco depois chegava em Munique, onde a aeronave faria reabastecimento.

O tempo era ruim, havia garoa e neve

Terminado o reabastecimento, os 44 passageiros (incluindo a tripulação) embarcam e o avião tenta a sua primeira decolagem que é abortada por “um pequeno problema no motor” na descrição do piloto.

Depois de cerca de hora é feita nova tentativa e nova desistência. Os passageiros descem e já se conformam e passar o resto da tarde em Munique e só viajar no dia seguinte. Porém, surpreendentemente, são chamados para o embarque.

Desta vez não há problemas no embarque. Só que o avião patina numa fina camada de gelo (conforme foi constatado mais tarde), derrapa e bate na cerca do aeroporto. Uma asa e parte da cauda são arrancadas; uma casa é atingida e pega fogo; uma parte da fuselagem acerta uma tenda de madeira, fazendo com que um caminhão cheio de combustível, que estava ao lado da tenda, explodisse.

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Morrem oito jogadores do Manchester (no total foram 23 pessoas: três funcionários do clube, oito jornalistas, dois membros da tripulação, um torcedor e um agente de viagens).

No banco

O jovem Bobby Charlton sobrevive em estado grave. Busby, o técnico, também sobrevive e também em estado grave.

Milagrosamente, três meses depois, Bobby Charlton está jogando futebol de novo.

Passam-se mais dois meses e a recuperação dele está tão completa que ele é convocado para disputar a #Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Bobby não chega a jogar e assiste do banco o Brasil do jovem Pelé ser campeão do mundo.

Mas, no Manchester, Bobby se torna cada vez mais craque. Na Copa do Mundo de 1962, no Chile, ele joga e marca um dos gols da vitória, 3 a 1, sobre a Argentina. Finalmente, em 1966, a Copa do Mundo é disputada na Inglaterra. Camisa 9 às costas, Bobby Charlton foi o grande nome do English Team.

Depois de um preocupante começo com o pálido empate, 0 a 0, com o Uruguai, Bobby fez 1 a 0 contra o México, abrindo o caminho para a vitória por 2 a 0.

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Depois, vitórias contra a França, a Argentina, vem a dura semifinal contra a forte seleção de Portugal, de Eusébio: vitória, 2 a 1, dois gols de Bobby Charlton.

A final foi contra a Alemanha. Em jogo até hoje polêmico e que foi decidido na prorrogação, a Inglaterra venceu por 4 a 2, campeã do mundo.

Certo de que seu grande inimigo em campo era Bobby Charlton, técnico alemão, Helmut Schon destacou seu melhor jogador, Beckenbauer, para marcá-lo.

Por ironia do destino, os dois craques não fizeram nada naquele jogo: anularam-se.

O craque vira Sir

O elegante e fino Bobby Charlton encerrou a carreira em 1975. Um ano antes, ele ganhou da Rainha Elizabeth o título de Sir.

É até hoje o maior #Artilheiro do Manchester United com 249 gols marcados em 758 partidas.

Pela Seleção inglesa, jogou 106 vezes e marcou 46 gols.

O sobrevivente tornou-se campeão, herói, lenda e Sir. #Desasstre