Uma rivalidade centenária. A relação entre #Arsenal e Tottenham nunca foi das mais amistosas. A partir de 1919, intensificou-se ainda mais, quando uma votação para decidir as vagas na primeira divisão resolveu promover os Gunners e rebaixar os Spurs. Desde então, o dérbi do norte de Londres tem parado a cidade quando as equipes se enfrentam. E no dia 4 de março de 1987 não foi diferente.

Era o jogo de desempate da semifinal da Littlewoods Cup – a Copa da Liga Inglesa. O agregado apontava 2 a 2, por isso a necessidade de uma terceira partida para definir quem iria para a final do torneio. Mas, as três horas e meia que antecederam o derradeiro duelo foram para ficar gravados para sempre na história do confronto.

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O Arsenal, de George Graham, enfrentava um período de vacas magras. Eram 16 anos sem conquistar o Campeonato Inglês – o tabu chegaria a 18. O time que chegara ali não era dos melhores. Em contrapartida, o #Tottenham, de David Pleat, era diferente. Apesar de não ter ganhado a Liga, passava por um bom momento e contava com jogadores considerados tecnicamente melhores que o do adversário.

No primeiro jogo, no Highbury, vitória visitante. Clive Allen marcou e o Tottenham venceu por 1 a 0. Além disso, suportou a pressão do Arsenal, que desperdiçou inúmeras chances de ir para o outro duelo com uma vantagem melhor. 

Divisor de águas

Na segunda partida, no White Hart Lane, uma atmosfera pesada vinha das arquibancadas, e o time, dentro de campo, correspondeu. Ainda no primeiro tempo, Allen marcou e o Tottenham tinha 2 a 0 no agregado.

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Somente uma tragédia tiraria o time da final. Mas no intervalo, um equívoco recolocou o Arsenal no jogo.

O locutor do estádio, em um ato provocativo, convencido de que a vaga na decisão já era certa, anunciou aos torcedores as opções de como e onde garantirem ingressos para a final em Wembley. Foi o bastante para a cabisbaixa e contida minoria torcida dos Gunners, presente no local, se enfurecer e soltar o grito entalado na garganta. No vestiário, os jogadores também ouviram e no retorno para o gramado, foram “saudados por um orgulhoso e desafiador grito nas arquibancadas”, como descreve Nick Hornby, em seu livro "Febre de Bola".

O jogo era outro. Viv Anderson e Niall Quinn viraram o jogo e a partida foi para a prorrogação. Após mais 30 minutos de bola rolando, nenhum gol. Seria necessária mais uma partida para definir o classificado. No fim, o cara e coroa definiu que o terceiro jogo seria, novamente, no White Hart Lane. 

A histórica virada e a vaga na final

Então, no dia 4 de março de 1987, uma quarta-feira, estavam todos ali novamente.

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Um jogo rápido e aberto, apesar da característica lama no gramado. Voando baixo, Allen teve chances perdidas no primeiro tempo, mas no segundo, não. Aos 61 minutos, fez 1 a 0 para o Tottenham. O Arsenal, mais uma vez, parecia acabado. Charlie Nicholas, um dos principais homens de frente, saiu machucado. Para o seu lugar, entrou Ian Allison, o herói improvável.

Quando tudo parecia se encaminhar para o fim do jogo, Paul Davis lançou para Allison, que dominou, girou e colocou a bola no canto direito de Ray Clemence. Aos 82 estava tudo igual.

Desta vez, quem desabara foi o Tottenham, que sentiu a punhalada nas costas, forte o bastante para perder qualquer força para os minutos finais. E o golpe veio de vez, da maneira mais cruel possível. O relógio já apontava os 90 minutos, quando Allison finalizou, a bola desviou e foi parar no meio da área. Rocastle dominou, jogou na frente e fuzilou. O último lance do jogo foi o gol da virada, da redenção e da classificação do Arsenal para a final da Littlewoods Cup.

"Eu pensei que estaríamos fora desta vez”, admitiu o técnico George Graham. Mas além de avançar, o Arsenal terminaria como campeão da competição, ao bater o Liverpool por 2 a 1 em Wembley.

Confira os gols nos minutos finais que deram a classificação ao Arsenal:

Próximo jogo

Arsenal e Tottenham jogam no próximo domingo, 6, no Emirates Stadium às 10h (horário de Brasília). #Futebol Internacional