A notícia da queda do avião que levava o time da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, não será esquecida tão cedo. Entre as 71 vítimas fatais, estava Mário Sérgio, comentarista da emissora de televisão Fox Sports, que se destacava pela sua singularidade e por não ter medo de falar o que pensava, costume que mantinha desde a sua época como jogador.

Mário Sérgio foi um dos poucos no futebol brasileiro que acumularam a experiência de ser atleta profissional, com a de treinador, diretor esportivo e comentarista, ou seja, poucos têm o seu conhecimento de como funciona o futebol em tantos segmentos diferentes.

A carreira

Aos 18 anos, Mário Sérgio é aprovado nos testes do Flamengo.

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Sua habilidade logo lhe garantiu destaque e após brilhar nos aspirantes, ganha as primeiras oportunidades no time profissional. Porém, o técnico do Mengão na época era Yustrich, um treinador linha-dura e que exigia que os atletas tivessem suas ordens e regras severas. Não demorou muito para que Mário Sérgio, na época cabeludo e vestido com o que havia de mais colorido na moda, entrar em choque com o chefe mandão. O resultado é que, a mando de Yustrich, o craque foi negociado com o Vitória-BA em 1971. Permaneceu no Rubro-Negro baiano até 1974, onde se tornou um dos melhores jogadores do Brasil no período, conquistando as Bolas de Prata, premiação promovida pela revista Placar, de 1973 e 1974.

Em 1975, é contratado pelo Fluminense e faz parte do time que ganhou o apelido de “A Máquina”. Foi no Flu que Mário Sérgio ganhou o apelido de “Vesgo”, graças ao hábito de olhar para um lado e tocar a bola para o outro, o que surpreendia os adversários.

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Só que o Tricolor tinha um elenco recheado e Mário era constantemente sacado nas partidas, o que lhe fez perder a paciência e acertar a sua transferência para o Botafogo em 1976. No Fogão sofreu duas sérias contusões no joelho e foi negociado com o Rosário Central, da Argentina, em 1979. Ficou apenas quatro meses no país vizinho, sendo contratado pelo Internacional.

No Colorado foi considerado responsável direto pelo título brasileiro de 1979. O bom futebol tinha voltado e Mário Sérgio voltou a ser Bola de Prata nos anos de 1980 e 1981. Em agosto de 1981 é anunciado pelo São Paulo. Chegou ao Tricolor Paulista para disputar a posição de ponta-esquerda com Zé Sérgio, na época titular da Seleção Brasileira. Com um futebol habilidoso e inteligente, Mário torna-se titular e ídolo da torcida. Seu temperamento forte fazia com que histórias fossem colecionadas.

A mais famosa pelo São Paulo foi quando, numa partida contra o São José na casa do adversário, a torcida local cercou o ônibus do Tricolor.

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Mário Sérgio abriu a janela e atirou para cima, abrindo caminho de forma eficaz. A qualidade de seu futebol em campo lhe deu a oportunidade de ser convocado para a Seleção Brasileira, porém o técnico Telê Santana preferiu não leva-lo para a Copa do Mundo de 1982 devido às suas indisciplinas. Atua em seguida pela Ponte Preta e em 1983 chega ao Grêmio, onde é peça fundamental para o título do Mundial Interclubes de 1983.

Ousado, no ano seguinte troca o Grêmio pelo Internacional, tendo uma passagem apagada. Ainda em 1984, é anunciado pelo Palmeiras. No Verdão o seu futebol renasce, tanto que volta a ser convocado para a Seleção Brasileira. Só que o craque é pego no exame antidoping por uso de cocaína e é suspenso por seis meses.

Mário veste as camisas do Botafogo-RP e do Bellinzona, da Suíça em 1986. Sua última equipe foi o Bahia, onde atuou em 1987. Seu preparo físico já não era o mesmo e na 5ª rodada do Brasileirão do mesmo ano, numa partida contra o Goiás, na Fonte Nova, fez um primeiro tempo extraordinário. No intervalo desta partida, desceu com pressa para o vestiário, tomou banho e perfumou-se, vestiu roupas do dia a dia e anunciou ao elenco e diretoria do Bahia que estava se aposentando como jogador. #Chapecoense #FutebolBrasileiro #MárioSérgio