A edição do #Campeonato Brasileiro deste ano confirmou mais um recorde. Pela terceira vez seguida o campeão teve pelo menos 80 pontos, além de deixar seus rivais diretos pela briga para trás de forma antecipada. Tal fato alimentou mais ainda debates sobre a eficiência ou produtividade do campeonato de pontos corridos, discussão que sempre ganha destaque pelos mais conservadores.

A última edição mais equilibrada do torneio foi no ano de 2011, em que o Corinthians levantou o caneco com 71 pontos e apenas na última rodada, sendo perseguido à fio pelo Vasco da Gama, que terminou com 69 pontos. De lá pra cá, Fluminense, Cruzeiro (duas vezes), Corinthians e Palmeiras sagraram-se campeões com pelo menos 3 rodadas de antecedência.

Publicidade
Publicidade

Disparidade vem sendo a marca do torneio

Desde a instituição do campeonato por pontos corridos, em 2003, foram poucas as edições em que os campeões tiveram pontuação pequena de vantagem sobre o segundo colocado: em 2004, 2005 e 2008 a diferença entre campeão e vice foi de 3 pontos, enquanto que em 2009, 2010 e 2011 foi de apenas 2 pontos. Entretanto, as outras 8 edições de pontos corridos podem ser consideradas verdadeiros massacres dos campeões. Com exceção do Fluminense, que em 2012 sagrou-se campeão com 4 rodadas de antecedência e deu uma “relaxada”, fazendo com que a diferença para o vice-campeão Atlético-MG fosse “apenas” 5 pontos ao final do campeonato.

Tal fato leva a volta do campeonato pelo famoso “mata-mata” ser muito debatida, por dirigentes e torcedores, sendo considerada uma forma talvez mais democrática e até emocionante.

Publicidade

Realmente, tal sistema trazia mais equilíbrio ao colocar até o 8° colocado em disputa de título, impedindo uma eventual disparidade. Assim víamos, por exemplo, um time como o Santos terminar em oitavo colocado e ser campeão, como o fez em 2002. Entretanto, vale lembrar que a disputa era em turno único, com mandos de campo aleatórios, o que impedia que os clubes em má fase pudessem se reabilitar a tempo.

No atual sistema, com 2 turnos, todos se enfrentam dentro e fora dos seus respectivos estádios, dando iguais condições de jogo a todas as equipes. Além disso, o campeonato fica mais longo, e vemos muitos casos de times que fizeram uma primeira metade de campeonato sofrível e na segunda se reerguerem e brigarem por altas posições, como fez o Botafogo nesta temporada, ao garantir-se na Libertadores, e o Flamengo campeão em 2009. Ao contrário do que muitos pensam, pontos corridos garante emoção também.

Enfim, a real discussão que deveria ter sido feita ao longo de todo esse tempo era sobre o que seria mais ou menos democrático: chances de título até o oitavo colocado ou todos contra todos dentro e fora de casa. A questão é que, além do Campeonato Brasileiro, todos os outros incluem mata-mata. Não faz sentido deixar pelo menos um exclusivamente de pontos corridos? Seria, talvez, a medida mais democrática possível.