O Mineirão havia sido inaugurado há pouco mais de um ano (5-09-1965). Ir ao Mineirão era uma festa, independente do jogo. Mas, naquela noite de quarta-feira, 30-11, havia um motivo especial: estaria em campo o #Santos de Pelé, penta campeão da Taça do Brasil entre tantos títulos. Do ouro lado, o #Cruzeiro que encantava os mineiros com suas exibições.

Mas o que ninguém esperava, aconteceu: ao final do primeiro tempo, o time azul do cruzeiro vencia Pelé e companhia por 5 a 0.

Estupefato, o repórter santista de rádio exclamava em altos brados em seu microfone: “Isso nunca aconteceu. O Santos vai virar”.

Mas, não virou e perdeu por 6 a 2.

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Gol de cara

O time do Cruzeiro, que começou a ser montado em 1964 pelo presidente Felício Brandi já prevendo a era do Mineirão, tinha o goleiro Raul com sua camisa amarela, Procópio, Piazza, Tostão, Dirceu Lopes, Evaldo... Dirigido pelo técnico Ayrton Moreira era um grande time.

Do outro lado, estaria o Santos bicampeão mundial, diversas vezes campeão paulista e cinco vezes campeão da #Taça Brasil.

No primeiro ataque cruzeirense, o lateral esquerdo Zé Carlos que sofreu para marcar o endiabrado ponta direita Natal, se atrapalhou e marcou contra: Cruzeiro 1 a 0.

O Santos nem havia se recuperado ainda quando, aos 5 minutos, Natal recebeu ótimo lançamento de Dirceu Lopes, passou por Zé Carlos e mandou para a redes de Gilmar. Cruzeiro 2 a 0.

Aos 20 minutos, Dirceu Lopes roubou a bola do zagueiro Oberdan e, da entrada da área, fez que chutou, jogando Gilmar para o canto esquerdo e mandando a bola para o vazo canto direito do melhor goleiro do Brasil.

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Cruzeiro 3 a 0.

Dirceu Lopes voltou a marcar aos 39, depois de um bombardeio azul à apavorada área santista. Cruzeiro 4 a 0.

O quinto gol nasceu, aos 41 minutos, de outra jogada espetacular do camisa 10 Dirceu que foi derrubado dentro da área: pênalti. Tostão cobrou e marcou. Cruzeiro 5 a 0.

Cadê Pelé?

O time do Santos era pálida imagem do bicampeão do mundo. Parecia um bando de garotos apavorados em campo. Pelé, o rei Pelé, era severamente marcado pelo zagueiro Procópio que não lhe dava espaço.

O meio-campo cruzeirense era compacto, formado por Piazza e Dirceu Lopes, mas contando com a ajuda de Evaldo e Tostão que voltavam para marcar. Os dois pontas cruzeirenses, Natal pela direita e Hilton Oliveira pela esquerda eram muito velozes e bons dribladores.

No segundo tempo, o Santos esboçou reação.

Jogando como o grande Santos, alvinegro marcou dois gols em 10 minutos, ambos por Toninho. Mas o time do Cruzeiro voltou a jogar o seu futebol, passou a tocar a bola e manteve o resultado até o final: 6 a 2.

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No dia 7 de dezembro de 1966, o jogo de volta, num Pacaembu também lotado e sob forte chuva. O Santos fez 2 a 0, gols de Pelé e Toninho, e tudo indicava que a goleada seria devolvida. E a situação dos mineiros ficou ainda mais difícil quando Tostão perdeu um pênalti que o goleiro Cláudio defendeu.

Porém, o mesmo Tostão iniciou a reação ao fazer um gol de falta. Depois, Natal e Dirceu Lopes completaram a virada: 3 a 2, Cruzeiro campeão da Taça Brasil.

Foi a partir daí que o Cruzeiro ganhou o Brasil e o Mundo.

Ficha técnica

Data: 30 de novembro de 1966.

Local: Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão).

Juiz: Armando Marques (RJ)

Público: 77.325 (pagantes)

Os times:

Cruzeiro EC: Raul; Pedro Paulo, Willian, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira. Técnico: Airton Moreira.

Santos FC: Gilmar; Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos, Oberdan e Zé Carlos; Zito e Lima; Dorval, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Placar: Cruzeiro 6×2 Santos.

Gols: Zé Carlos-SAN (contra) aos 1′; Natal-CRU aos 5′; Dirceu Lopes-CRU aos 20′ e 39′ e Tostão-CRU (pênalti) aos 42′ do 1º T. Toninho Guerreiro-SAN aos 6´ e 9´e Dirceu Lopes-CRU aos 27´do 2º T. Expulsões: Procópio-CRU e Pelé-SAN, aos 30´do segundo tempo.