A forte chuva que caiu sobre Chapecó neste sábado não pode ter outra explicação senão uma espécie de choro divino, como se os anjos estivessem, no mesmo instante, derrubando lágrimas ao receberem no céu as 71 vítimas da tragédia que envolveu a delegação da #Chapecoense na última segunda-feira. Os guerreiros da Chape levaram à Medellín o sonho de ser campeão da Sul-Americana, e voltaram à Arena Condá com um lugar eternizado na história.

A solidariedade marcante dos últimos dias se potencializou durante o velório coletivo realizado no estádio da Chapecoense, em Santa Catarina. Por volta de 12h28, o primeiro caixão passou pelo portão da Arena Condá e percorreu o gramado sob olhar atento dos torcedores que ignoraram até o temporal para prestar a última homenagem.

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Por um momento, o choro se transformou em grito e o estádio inteiro bradou “O campeão voltou”, emocionando familiares, amigos, personalidades do futebol e autoridades que se fizeram presentes.

O translado dos corpos da Colômbia ao Brasil foi concluído na manhã deste sábado por dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), que finalizaram a chegada a Chapecó por volta de 9h40 no aeroporto local. Uma cerimônia protocolar com as Forças Armadas e o presidente Michel Temer deu início ao dia de homenagens, que se estendeu durante a tarde na Arena Condá.

Luciano Buligon, prefeito de Chapecó, não se permitiu esquecer dos colombianos no momento mais triste da história da sua cidade. Na cerimônia, ele discursou vestindo a camisa do Atlético Nacional, de Medellín, que faria a final da Sul-Americana contra a Chapecoense e que organizou, na última quarta-feira, data prevista para o jogo, uma enorme homenagem no estádio Atanasio Girardot, na Colômbia.

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Para Buligon, a chuva era apenas um sinal:

“Deus também tem todo o direito de chorar. E por isso tanta água está caindo na terra de Condá. Não posso esquecer de mencionar o apoio dos colombianos, que certamente fará com que nos aproximemos de forma a nunca mais esquecer. Somente pela força, pelo apoio e pelo trabalho deles nos restaram seis sobreviventes desta #Tragédia. Obrigado, povo colombiano. Estarão para sempre em nossos corações. A Chapecoense agora é do mundo”, frisou.

Ivan Tozzo, presidente em exercício do clube, enfrentou a dor, a emoção e às lágrimas para pedir que os torcedores não percam a esperança: “Mais do que nunca, precisaremos de vocês”, suplicou. Após a retirada do último caixão carregado pelos militares, uma onda de fortes aplausos tomou conta da Arena Condá como mais uma forma de reconhecimento à trajetória e a luta de cada uma das vítimas.

Personalidades do mundo do futebol demonstraram sensibilidade e fizeram questão de estar presentes na despedida dos guerreiros da Chape.

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Tite, técnico da seleção, e Edu Gaspar, diretor da CBF, foram à Arena Condá, assim como o presidente da Fifa, Gianni Infantino e os ex-jogadores Carles Puyol e Clarence Seedorf.

Uma faixa pendurada nas tendas que abrigavam os caixões lembrava um trecho do hino do clube e dizia: “Nas alegrias e nas horas mais difíceis, meu furacão tu és sempre um vencedor!". A lembrança ao cântico oficial do clube faz jus ao momento vivido, que ainda espalha um sentimento de perplexidade a todos e, mais do que isso, permitiria mudar uma outra parte do hino, trocando o “Tu és o mais querido de Santa Catarina” por “Tu és o mais querido do mundo inteiro”.