Os maiores rivais do #Futebol brasileiro enfrentam uma crise que reflete a crise do próprio país, a #Argentina. Tudo começou depois que foi criado o programa Futebol Para Todos, que transmitia os jogos do campeonato local em TV aberta, assumindo o custo das transmissões e, assim, financiava os clubes através de cotas de TV. O programa dos governos Kirchner, no entanto, foi suspenso com o novo governo, que herdou a dívida com os clubes: nada menos do que 350 milhões de pesos (cerca de 70 milhões de reais).

A discussão entre os percentuais que devem ser pagos a cada clube é o maior problema e está longe de haver acordo. O governo de Mauricio Macri já fez o pagamento à Federação de Futebol Argentino (AFA), mas os dirigentes alegam que a dívida com os jogadores é maior do que a verba disponível.

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Com quatro meses de salários atrasados, os atletas argentinos estiveram reunidos por mais de duas horas na noite de quinta-feira (2) e decidiram manter a #Greve, reivindicando, além do pagamento, melhores condições para o esporte no país.

Um dos principais líderes do movimento grevista, Sergio Marchi, declarou: "Estamos exigindo isto desde o dia 3 de janeiro e, mesmo assim, os dirigentes dos clubes devedores se mostram indiferentes. Nossa situação é pior agora do que antes". O presidente da FFA (Futbolistas Argentinos Agremiados - que é o sindicato dos jogadores), continua: "Me chama a atenção a indolência e a irresponsabilidade de um grupo de dirigentes que querem que o futebol aconteça igual, ainda que o clube não possa pagar seus empregados".

O jogador Cubero, do Vélez Sarsflied, que participou da reunião, foi o único que falou com a imprensa e foi enfático: "Se o dinheiro não estiver na conta dos jogadores, não vamos jogar".

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Os clubes chegaram a cogitar a convocação dos jogadores de base, para evitar a suspensão das partidas. Também o Ministério do Trabalho e a AFA ameaçam punir os clubes que não entrarem em campo, mas os jogadores não se intimidaram e mantiveram a decisão de paralisação. Com isso, as partidas programadas para este fim-de-semana foram adiadas para o próximo, de 10 a 12 de março. O presidente do Belgrano de Córdoba Armando Pérez porém, ratificou: "Não podemos jogar porque os problemas não estão sendo resolvidos".

Diante da firmeza dos atletas, faltando 4 horas para o início do Campeonato Argentino, a AFA suspendeu os dois jogos que aconteceriam na noite de sexta-feira (3).

O impasse argentino pode favorecer o futebol brasileiro na disputa da Taça Libertadores da América, pois o Botafogo, o Flamengo, o Palmeiras e o Atlético-MG enfrentarão times que estão sem jogar.