O prêmio de Melhor Técnico da temporada na NBA não tem o mesmo glamour das honrarias entregues aos jogadores, mas o equilíbrio na disputada é presente e constante. Na temporada passada, Steve Kerr liderou o Golden State Warriors na melhor campanha de uma franquia na história da #NBA. As 73 vitórias renderam o prêmio unânime de MVP (Melhor Jogador) para o armador Stephen Curry, porém, Kerr foi eleito COY com “apenas” 64 de 130 votos para primeiro lugar.

Neste ano não será diferente. Existem diversos modos de avaliação, diversas teorias extremamente válidas sobre como escolher o melhor técnico da temporada. Consistência? Evolução? Imprevisibilidade? Tudo vale!

Os favoritos

Mike D’Antoni

Após trabalhos questionáveis no New York Knicks e Los Angeles Lakers, a carreira de Mike D’Antoni estava na curva errada.

Publicidade
Publicidade

O vencedor do prêmio na temporada 2004-05 ficou dois anos longe do trabalho e, logo em seu primeiro ano, retorna no topo.

D’Antoni simulou seu famoso Seven Seconds of Less dos tempos de Phoenix Suns ao escalar James Harden como armador principal do Houston Rockets. Ofensivamente imparável, Harden liderou em quadra as mudanças do técnico na prancheta.

O ataque focado em transição rápida, pick and roll alto e todos os jogadores do perímetro com luz verde para arremessar rendeu uma melhoria de 14 vitórias em comparação à temporada passada. O Rockets terminou com o terceiro melhor aproveitamento da NBA e só ficou atrás do Golden State Warriors na lista de melhores ataques da liga.

Sua defesa foi a pior entre os 16 classificados para a pós-temporada, mas isso é o que se compra quando contrata Mike D’Antoni, certo? Na história do prêmio, apenas sete técnico venceram pelo menos duas vezes.

Publicidade

Dos sete, quatro conquistaram o troféu em trabalhos diferentes.

Brad Stevens

Cleveland isso, Cavaliers aquilo. A temporada 2016-17 na conferência Leste se resumia aos atuais campeões. Ninguém duvidava que a equipe de LeBron James ficaria no topo do Leste do início ao fim. Brad Stevens e o Boston Celtics tinham outros planos.

Independente das dificuldades do Cavaliers durante o ano, o Celtics se colocou na posição de roubar o 1º seed do Leste ao reunir um bom equilíbrio com o 7º melhor ataque e 15ª melhor defesa. As lesões também assolaram o maior campeão da história. Avery Bradley, Al Horford, Jae Crowder e Isaiah Thomas perderam tempo durante a campanha, fato que só engradece o feito de Stevens.

O técnico nunca alterou a forma de jogar da equipe e não se intimidou quando atuou longe do TD Garden. A equipe foi uma das sete a terminar a temporada com pelo menos 50% de vitórias fora de casa.

Stevens é considerado o melhor técnico jovem da NBA na atualidade e muitos dos votantes querem coroar essa posição com o prêmio.

Publicidade

Se isso acontecer, será muito merecido.

Quin Snyder

Falando de técnicos novos, que tal o homem que pulou de 40 para 51 vitórias com o Utah Jazz? Quin Snyder recebeu o cargo principal na comissão técnica em 2014 e se tornou a engrenagem por trás da evolução de todo o seu elenco. Naquele ano, Gordon Hayward, Rudy Gobert, Derrick Favors, Dante Exum, Rodney Hood e Joe Ingles estavam no elenco do Jazz.

Destes, apenas Exum não atuou por pelo menos 20 minutos na atual campanha. Joe Johnson, George Hill e Shelvin Mack foram as “grandes” aquisições. Como chegar ao quinto lugar da competitiva conferência Oeste sem a grande estrela ofensiva? Transformando sua equipe na melhor em termos defensivos.

Foram apenas 96.8 pontos sofridos por jogo, superando os trabalhos consagrados de San Antonio Spurs e Memphis Grizzlies. Desde que assumiu o Jazz, Snyder esteve no Top 3 de pontos sofridos em cada um de seus três anos.

A equipe terminou na última posição em posses de bola por jogo com apenas 91, número que explica o estilo de jogo. Sem o foco no ataque, o time trabalha a bola à exaustão e procura sempre o melhor arremesso. O sistema de Snyder pode ser chato para quem assiste, mas é muito eficiente e tira o máximo de cada peça do Utah Jazz.

Serão votados, mas...

Steve Kerr: Três anos como técnico do Golden State Warriors, três vezes como o melhor time da temporada regular. Kerr precisa ser votado, porém, a temporada de 73-9 destrói qualquer chance do treinador conquistar o prêmio, afinal, ele “piorou” seis jogos e fez o que era esperado ao garantir o topo do Oeste. Além disso, nunca houve um bicampeonato.

Gregg Popovich: Basicamente, os mesmos argumentos direcionados a Steve Kerr. O já lendário técnico do San Antonio Spurs venceu 67 jogos na temporada 2015-16 e 61 nesta campanha. A liderança da conferência Oeste em meados de março foi uma surpresa positiva após 16 vitórias em 19 jogos. Aquele sistema extremamente altruísta está no fim, mas lembre-se que Popovich já conquistou títulos em três décadas diferentes. Quanto mais muda, melhor fica.

Scott Brooks: Brooks retornou à NBA após um ano da demissão em Oklahoma City e fez o Washington Wizards subir de 41 para 49 vitórias. O time que não se classificou para a última pós-temporada chegou a brigar pelo topo do Leste nas últimas semanas da campanha. Depois de um início com 19 vitórias e 19 derrotas, foram 30 vitórias em 44 jogos para finalizar um ótimo primeiro ano.

Jason Kidd: O Milwaukee Bucks de Jason Kidd chegou um ano atrasado, mas chegou. Após quase eliminar o Chicago Bulls nos playoffs de 2014-15, o Bucks contratou Greg Monroe e teria Jabari Parker recuperado de lesão. O resultado foi trágico.

Neste ano, Kidd deu o time nas mãos de Giannis Antetokounmpo e foi inteligente ao colocar Monroe como sexto homem. Apesar das lesões de Parker e Khris Middleton, o time venceu 42 jogos e ficou na sexta posição do Leste.

Mereciam votos, mas...

Erik Spoelstra: Uma vitória e a história desse técnico seria diferente. O Miami Heat terminou na nona posição da conferência Leste. Em dois anos, Spoelstra viu o BIG3 formado por LeBron James, Dwayne Wade e Chris Bosh desaparecer de Miami sem qualquer retorno ao time.

Antes da temporada, alguns apontavam o Heat no mesmo patamar de Philadelphia 76ers e Orlando Magic. O técnico fez mágica com um elenco abaixo do nível médio, terminando com a melhor defesa da conferência Leste e 31 triunfos em 48 jogos em 2017.

Mike Malone: Mais um técnico que não se classificou para os playoffs por conta de uma vitória. O Denver Nuggets foi surpreendente na temporada 2016-17, apesar do elenco ser cheio de bons jogadores. Malone conseguiu entrosar todas as suas opções do elenco e fez o time terminar com o terceiro melhor ataque da NBA.

Só não chegou à pós-temporada por conta de lesões. O técnico merece um voto e já sai desta campanha como um dos favoritos para ganhar o premio daqui um ano. #Esportes #Basquete