O dia era 29 de novembro de 2016. Madrugada no Brasil, noite na Colômbia. Por volta de 2h da manhã, no horário de Brasília, os brasileiros foram apunhalados por um duro golpe que até hoje é difícil de acreditar. O avião que levava a delegação da #Chapecoense até Medellín, na Colômbia, onde o clube disputaria a partida de ida da final da Sul-Americana contra o Nacional, se chocou em uma montanha antes de chegar ao aeroporto. O saldo foi doloroso: 71 mortes, apenas seis sobreviventes e um país inteiro em lágrimas com a perda dos filhos de Condá.

O dia era 29 de maio de 2017. Exatamente seis meses depois do trágico acidente, como que por ironia do destino, a Chape fez história.

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Nesta segunda-feira, o time catarinense deu sequência à boa fase que vive e venceu o Avaí por 2x0, na Arena Condá, com gols de Wellington Paulista e Reinaldo. O resultado levou o time aos 7 pontos na tabela do Brasileirão e fez com que a Chapecoense, pela primeira vez em sua história, liderasse o campeonato nacional.

Há de se levar em conta que o campeonato vive apenas sua fase inicial, com apenas três rodadas disputadas, mas a Chape chama a atenção pela força que tem mostrado no início do certame - sobretudo pela maneira organizada como tem se apresentado em campo, mesmo com a chegada de cerca de 30 novos jogadores, além do técnico Vagner Mancini. A equipe de Condá empatou fora de casa contra o Corinthians, por 1x1, na estreia, depois venceu o Palmeiras por 1x0 em casa e bateu o Avaí por 2x0 nesta segunda, igualmente na Arena Condá.

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Após a vitória no clássico catarinense, o técnico Vagner Mancini tratou de colocar os pés no chão e evitou a empolgação mesmo após a confirmação da liderança. Com sete pontos, a Chape lidera por ter um saldo de gols melhor que o de Cruzeiro e Corinthians, que são as duas outras equipes com esta mesma pontuação.

"Claro que nós sabemos que o futebol sempre reserva muitas surpresas. Se hoje a Chapecoense lidera o campeonato, por que não pode seguir líder lá na frente?", projetou Mancini, antes de "conter" os ânimos. "Mas a liderança é momentânea. Como se fosse um bastão passando de mão em mão. Nós não podemos nos empolgar", acrescentou.

De fato, o início do Brasileirão 2017 corrobora a opinião expressada pelo comandante da Chapecoense. Isso porque até o princípio da terceira rodada eram dois líderes diferentes. Fluminense e Grêmio eram os únicos com 100% em dois jogos, mas acabaram tropeçando no terceiro. Em São Januário, o Flu acabou derrotado por 3x2 para o Vasco da Gama. Já o Grêmio, repleto de reservas, levou 4x3 do Sport na Ilha do Retiro, apesar de ter iniciado a partida ganhando de 2x0.

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Retomada animadora

Nos desdobramentos do triste acidente que tocou a todos no meio do futebol, foi sugerida à Chapecoense que ficasse "imune" ao rebaixamento ao menos na edição seguinte do Brasileirão, no caso a de 2017. O clube rejeitou de imediato a proposta e o início da campanha mostra que nem mesmo seria preciso. Além de Vagner Mancini, chegou ao grupo em janeiro o diretor-executivo Rui Costa, além de cerca de 20 atletas, dentre os mais conhecidos Wellington Paulista, Reinaldo, Túlio de Melo, Andrei, Apodi e Luiz Antônio.

Apesar de um primeiro turno não tão bom no Campeonato Catarinense, a Chape se recuperou na sequência e venceu o estadual em uma disputa final contra o Avaí. Na Recopa Sul-Americana, os brasileiros até venceram o primeiro jogo em casa contra o Atlético Nacional, mas perderam o título após levar uma goleada por 4x1 em Medellín. Na Libertadores, muito drama e sofrimento.

No campo, o clube alcançou a pontuação necessária para ir às oitavas de final, mas perdeu três pontos do jogo contra o Lanús, na Argentina, por conta de uma escalação irregular do zagueiro Luiz Otávio. A Chape ainda tenta recorrer.