#Nilton Santos, carioca da Ilha do Governador, só vestiu a camisa de um time: a do Botafogo FR, clube de seu coração. Com Didi, Garrincha, Amarildo e Zagalo, é um dos responsáveis pelo apelido de “Glorioso” dado carinhosamente ao alvinegro. Ele fez parte de um esquadrão que viveu a melhor fase de toda história do clube.

Nascido em 16 de maio de 1925, ele foi peladeiro na Ilha, quando tentou a sorte no futebol foi primeiro às Laranjeiras, portanto debaixo do braço um embrulho com um par de chuteiras. Assustado com as reluzentes instalações do Fluminense, Nilton deu meia-volta.

Tentou um clube menor, o São Cristóvão. Apesar de o técnico Arquimedes ter se encantado com o seu futebol, foi aconselhado a ir para um clube de maior expressão.

Publicidade
Publicidade

Foi o que fez, indo ao #Botafogo.

Carlito Rocha, então uma figura folclórica, mas muito influente no Botafogo, examinou Nilton e decidiu que ele seria defensor. Uma visão muito feliz. Nilton Santos sagrou-se campeão carioca três vezes e mundial por duas pela #Seleção Brasileira, em 1958 e 1962. Em 1998, foi escolhido como o melhor lateral-esquerdo do mundo de todos os tempos.

Em 1953, Garrincha fez o lendário teste em General Severiano para jogar no Botafogo. Estava no time reserva. Ponta-direita, teria que enfrentar Nilton, cujo parecer foi taxativo após o treino: “Contratem logo o garoto. É melhor ele conosco do que contra nós!” Mané foi uma das grandes amizades que ele teve no futebol.

Nas convocações da Seleção Brasileira entre as décadas de 1950 e 1960, seu nome era obrigatório. Fez parte do grupo da Copa de 1950 como reserva do capitão Augusto.

Publicidade

“Zizinho queria que eu jogasse. Mas o técnico Flávio Costa implicou com minha chuteira. Para ele, zagueiro não podia ser tão bom tecnicamente, tinha que dar chutão”, declarou.

Ainda assim, participou também das Copas de 1954 na Suíça e das de 1958 e 1962, sempre como titular absoluto. Foi pioneiro no quesito lateral-apoiador. “Zagalo dizia pra mim: vai que eu fico”, que o incentivou a ser o autor de um dos gols do Brasil na vitória de 3 a 0 a contra a Áustria, na Copa de 1958.

Sua participação não se restringia apenas dentro das quatro linhas. Apesar de nunca ter sido capitão, tinha um grande espírito de liderança. Aconselhou e acalmou Amarildo na véspera do jogo contra a Espanha, no qual teria a tarefa dificílima de substituir Pelé, que se contundira seriamente no jogo anterior. O “Possesso” entrou bem no jogo e fez dois gols.

Após pendurar as chuteiras, Nilton montou uma loja de artigos esportivos ao lado do prédio onde morou muito próximo à Cobal de Botafogo, na Rua Voluntários da Pátria.

Publicidade

Depois, estabeleceu residência fixa em Brasília, quando trabalhou no seu último projeto, uma escolinha de futebol para crianças.

O Estádio Nilton Santos é o nome oficial do Engenhão, numa homenagem muito merecida. Também deixou as marcas de seus habilidosos pés na Calçada da Fama do Maracanã.

Em novembro de 2013, o grande Nilton Santos nos deixou. Mas sua contribuição para o futebol brasileiro ficou para a eternidade.