Brasil e Chile fazem nesta terça-feira [VIDEO] (10), no Allianz Parque, um duelo válido pela última rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a #Copa do Mundo da Rússia. O time dirigido por Tite já está classificado e apenas cumpre tabela, enquanto que os chilenos jogam seu futuro no Mundial. Em 1989, disputando vaga para a Copa da Itália, os times entraram em campo em condições parecidas, porém o desfecho daquele jogo, que nem chegou ao final, ficou marcado para sempre, de forma negativa, na história do futebol e gerou uma grande punição ao país vizinho, no que ficou conhecido como o caso da “fogueteira” e a farda do goleiro Roberto Rojas.

Publicidade
Publicidade

Mas antes de iniciar a história, vamos analisar o cenário daquelas eliminatórias. Naquela época, como a Copa tinha 24 seleções, apenas três times da América do Sul se classificavam, além da Argentina, que como atual campeã já estava garantida e, diferente dos dias atuais, não precisou disputar o torneio eliminatório. As nove seleções do continente foram dividas em três grupos, onde apenas o campeão de dois deles se classificava, enquanto que o terceiro vencedor de grupo (o de pior campanha entre o três) disputaria uma repescagem contra Israel.

O Brasil caiu em um grupo relativamente tranquilo, com Venezuela (que era mais saco de pancadas do que atualmente) e o Chile. Como já era de se esperar, brasileiros e chilenos venceram com folga a frágil Venezuela e o páreo mesmo ficou entre os dois.

Publicidade

No primeiro turno, em Santiago, jogo disputado no dia 13 de agosto, as seleções empataram em 1 a 1. O segundo e decisivo duelo entre os times seria em 3 de setembro, no estádio do Maracanã e por ter melhor saldo de gols o Brasil jogava pelo empate.

O Brasil abriu o placar aos 4 minutos do segundo tempo, com um gol de Careca. O resultado dava mais tranquilidade ao time dirigido por Sebastião Larazoni, porém os mais de 140 mi torcedores não foram para a casa com a certeza da classificação assegurada. Vinte minutos após o gol brasileiro, um sinalizador foi lançando ao gramado. A imagem da TV flagrou o goleiro chileno Roberto Rojas caído, com a camisa manchada de sangue. Revoltados, os jogadores chilenos o levaram para os vestiários e não voltaram para o campo.

Com o encerramento da partida antes o tempo regulamentar, o temor de uma punição ao Brasil e a consequente exclusão do mundial começaram a rondar os torcedores. E isso era a única esperança chilena de classificação. Ali entrou em cena outro personagem, até então anônimo entre os 140 mil torcedores presentes: a torcedora Rosenery Mello foi a responsável por lançar o sinalizador que acabou indo em direção ao campo.

Publicidade

Por conta do episódio, passou a ser chamada de “a fogueteira do Maracanã”. Ela foi levada para a delegacia e chegou a ficar detida por um dia.

As coisas começaram a mudar dias depois, quando fotos revelaram a farsa protagonizada pelo goleiro chileno. O sinalizador caiu ao lado do goleiro e não o atingiu. Aproveitando a oportunidade, que literalmente havia caído do céu, Rojas se jogou no cão e utilizando uma lâmina que estava escondida em sua luva, fez alguns cortes no supercílio para assim tentar alegar que havia sido atingido.

A FIFA não gostou nada do jogo sujo e aplicou severas punições. O Chile, além de dentro de campo não levar a vaga para a Copa de 90, ainda ficou impedido de disputar as eliminatórias para a Copa seguinte, nos Estados Unidos. Já Rojas foi banido do futebol, não podendo mais jogar profissionalmente. A pena foi revogada apenas em 2001, quando ele já tinha mais de 40 anos.

Já a fogueteira, de grande vilã passou a ter status de celebridade, chegou a posar naquele mesmo ano para a revista Playboy, mas algum tempo depois voltou ao anonimato, passando a levar uma vida comum em Araruama, cidade da Região dos Lagos, no Rio, onde era dona de um bar. Morreu em 2011, aos 45 anos, após sofrer aneurisma cerebral.

#Seleção Brasileira #PaixãoPorFutebol