Ao dedicar alguns instantes à leitura do Livro Eclesiastes, percebi que realmente compensa viajar em cada capítulo, mas o versículo 9, do capítulo 1º, para o que desejo expressar, chama atenção pela afirmação que transcende os tempos, pois o Eclesiastes fora escrito 935 aC, pelo Rei Salomão (sic) "O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol".

Após meditar sobre tal afirmação de quase 3.000 anos, proferida por um dos homens biblicamente considerado um dos mais sábios e que ainda assim fez consideração quanto armazenar o saber - Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza (Eclesiastes 1:18); isto me fez pensar sobre o quê eu quero saber de verdade.

Publicidade
Publicidade

Que notícia quero ler, ouvir, que informação guardar?

E por falar em sabedoria também se encontra nas Escrituras Sagradas - A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento (Provérbios 4:7). Parece contraditório... pois este outro Livro também fora escrito pelo mesmo rei Salomão. Posso imaginar que, em primeiro plano, o sábio Rei estaria se referindo ao noticioso, o trivial, os acontecimentos naturais, os percalços dentre um povo, a rotina de violência; etc. e em segundo plano, a Sabedoria e espírito elevado, que ilumina ao ser compartilhada.

Ao se abrir a maioria dos jornais, sintonizar canais de TV, estações de rádios, inclusive nas versões on-line, nos deparamos com 'informações' do tipo:

- Linchamento de culpados e inocentes

- Invasão de vírus nos computadores e antivírus não conseguem mais evitar

- Cresce a corrupção e os escândalos em todos os lugares (chegou o tempo de se ter vergonha de ser honesto)

- Drogas lícitas abrem caminho para as ilícitas

- Acidentes, balas perdidas e crimes bárbaros matam mais que guerra civil

- Prostituição, estupro, pedofilia, homofobia e racismo: mal de todos os séculos

- Agressão ao meio ambiente é comparada a depressão, traição e infidelidade

- Viciados em tecnologia engrossam estatísticas em enfermidades

- Seca assola no sul e chuvas torrenciais destroem no norte...

Publicidade

Sensacionalismo, sobre sensacionalismo que geram expectativas e mais expectativas em torno do que ainda pode acontecer, do que virá amanhã! Pensa-se que nada mais poderá acontecer pois isto já é o limite e, quando passam os dias logo todos são novamente surpreendidos com o bombardeio de novas(?) notícias, iguais ou piores que as anteriores. O semblante e a tonalidade de voz e dos âncoras nos telejornais são tão assustadora quanto a guerra nuclear, tsunamis, terremotos e maremotos, aquecimento global, alguém exclama, é o apocalipse!

Estudos afirmam que a partir dos 40 anos a capacidade de armazenar informações começa a sofrer um processo lento e gradativo de deterioração, ou se, no mundo moderno, a quantidade absurda de informações com que somos bombardeados dificulte sua assimilação. Segundo o médico paulista o geriatra Alberto Macedo Soares, essa é uma dúvida a ser esclarecida - Não se pode negar que, hoje, além do acúmulo enorme de informações, o grau de preocupação é tanto que o trabalho não se encerra com o término do expediente.

Publicidade

Muitas vezes, a pessoa de 40, 50 anos entra em casa, liga o computador e continua em atividade, comprometendo as horas que deveriam ser reservadas para descansar e dormir. Essas situações são responsáveis por aumento da carga de estresse e pelo déficit de atenção, que podem provocar prejuízo da memória, principalmente da memória recente.

Com esta overdose diária de informações(?) não resta tempo para se detectar manipulação de imagens, de conteúdos, de pesquisas, de dados, etc., e as autoridades científicas e políticas estão confusas e não sabem se de fato o planeta encontra-se na fase de aquecimento ou resfriamento global, enquanto a economia mundial cambaleia e os sistemas políticos estão por um fio. Mas agora o que interessa é a Copa FIFA do Mundo, em seguida a enfadonha campanha política, e em 2016 as Olimpíadas. É tempo de demasiado direito e poucos deveres, é tempo de programações fúteis nos meios de comunicação e correntes sem nexos, além de extrema amizade, amores e abraços pelas redes sociais.