Observar a Copa do ponto de vista teatral é fascinante quando além de torcedora, pode-se visitar o que é expressivo como a dança da jibóia do jogador da Inglaterra Daniel Sturridge após seu gol contra a Itália ou o vôo de Robin Van Persie contra a Espanha.

O artista dos campos de futebol parece desinteressado de suas motivações criativas, seu preparo como homem e como esportista faz dele um profissional admirado e bem pago, no entanto a mídia o assedia e ele não se retrai, acontece uma mutação que faz dele um espécie de X-Men. Pode-se dizer que são bem patéticas as "simulações" de quedas e empurrões como aconteceu no caso dos brasileiros Fred e Marcelo ao tentar "cavar" penalidades. O público sem ter para onde desviar o olhar a não ser por acidente, emociona-se como é do objetivo do ator no seu ofício.

O teatro grego teve suas origens ligadas a Dionísio, divindade da fertilidade e do vinho como também figura relacionada à orgia. Os rituais onde usavam-se máscaras e fantasias evoluiu para representações cênicas. A tradição das encenações foi herdada pelos romanos trafegando entre a tragédia e a comédia. Dionísio é o deus da arte, o deus-espelho, do auto-conhecimento que reflete para as pessoas o que elas são, partir do autoconhecimento, é possível encontrar forças em si mesmo e, assim, não será mais necessário que os deuses controlem o homem, e não será mais necessário que a cidade seja fechada (antiga pólis), pois quando o homem conhece a si mesmo, ele entende o homem, e portanto aceita o xenos (estrangeiro), passando a ter o novo conceito de humanidade.

Portanto, arte do teatro está no dia a dia e estudando sua história é possível compreender que o público é um ser que deve participar interpretando, pois ninguém torce em vão. A festa da Copa passa pelo sentimento de festa internacional moderna onde estão em jogo valores humanos como a dignidade e a coragem, os mesmos valores que buscavam compreender e refletir os criadores do teatro há mais de 2.000 anos.