Nós vivemos plugados na rede. Não há um só dia em que eu não me veja diante da tela do computador, seja trabalhando, seja navegando sites de notícias ou #Entretenimento, seja batendo papo pelo Messenger e agora Skype. Já houve um tempo em que eu entrava em salas de bate-papo, mas atualmente não é mais ambiente em que eu me sinta bem. Já tive página no Orkut e por duas vezes cometi orkutcídio. Não gosto do Twitter e por mais que me sinta incomodada ainda tenho Facebook. Não gosto de Instagram e não tenho paciência pra WhatsApp.

Vivemos a era da informação, mas são tantas as informações que vejo como desinformação à medida que fazer essa filtragem torna-se cada vez mais difícil. O isolamento do indivíduo concentrado na tecnologia da informação e em meio a profundas mudanças nas relações sociais, nos sistemas políticos e nos sistemas de valores; sozinho em casa ele está perdendo a capacidade de se relacionar com pessoas reais, se relaciona em comunidades virtuais criando a ilusão de intimidade. Hoje está cada vez mais difícil pessoas terem uma conversa real.

E todos os medos, angústias, ansiedades desses tempos são feitos para serem sofridos em solidão. Essa forma de convívio sólido de sentimento de um nós, foi substituída, em muitos casos, pelo navegar na rede; efêmero, volátil e fluido, lugar em que as pessoas tentam encontrar ou estabelecer vínculos eletronicamente mediados, frágeis realidades virtuais que do mesmo modo que é fácil entrar é fácil sair sem nem deixar rastros. É um embaralhamento das formas de relacionamentos que estão sofrendo uma mutação tornando-se instável e líquido.

As pessoas não querem compromissos, não querem vínculos. É o modo consumista dos relacionamentos, ele deve ser já e agora, instantâneo, leve e descartável porque amanhã terão outras novidades que trarão mais satisfações. As relações só duram enquanto permanece a satisfação dos parceiros e nem um momento a mais. A onda é não se comprometer e lembrar que existem outras possibilidades talvez mais satisfatórias; ao se comprometer você fecha as portas, portanto, mantenha as portas abertas porque não é qualidade que se busca e sim quantidade. Isso é a vulnerabilidade do homem atual, a incerteza e o desamparo, a atual condição humana moldada pelo vazio e o medo. O vazio remete ao nada e nesse sentido, talvez, Nietzsche possa ser considerado o profeta dos nossos tempos que alguns chamam de pós-modernidade, pois nem Deus, nem a Razão e sim o Nada e o Vazio são especificidades do pensamento do homem atual.

O sentimento de abandono que, como vazio opressivo, esmaga a consciência do homem moderno. Os cínicos escarnecedores, reunidos na praça do mercado, somos também nós, vencedores do combate da ciência contra as trevas da ignorância. Apenas nós, homens modernos, não estávamos conscientes da dimensão épica de nosso próprio feito, nada sabíamos da tragédia que desencadeáramos, nela precipitando nosso mundo. Alguns enxergam essas grandes e vertiginosas mudanças como positivas; outros não confiam no futuro.

Numa era em que tempo e espaço não existem mais, navegamos e nos relacionamos pela rede de computadores. Criamos laços tão instáveis, personagens tão diversos que num apertar de teclas simplesmente essa "realidade virtual" deixa de existir. O que constitui a base da pós-modernidade é uma ilusão e não o equilíbrio. Num mundo irrestrito em que o aqui e o agora prevalecem, causa angústia porque não nos sentimos plenos, não nos sentimos sucesso e nem realizados, somos seres angustiados, massificados, sem estilo e sem valores cristãos ou morais; somos banais, extremamente banais.

A sociedade massificada perdeu os sentidos abstratos e superiores, a perda dos valores, o fardo da busca eterna pelo sucesso e consequentemente, fadado a morrer insaciado. Hoje são tantas as opções que a percepção de saciar-se não faz parte das sociedades contemporâneas cujo consumismo e as mídias se encarregam de mostrar que tudo se pode, cada vez mais e assim, insaciável somos. "Triste sorte da condição humana, tempo dos envoltórios sem conteúdo e das palavras sem sentido" (Eduardo Galeano).