Às vezes concentramos o olhar numa cena cotidiana e é impossível não deixarmos de refletir sobre ela.
Andando pela rua, semana passada, observei o talento solitário de um pintor de azulejos. Aqueles pintores que pintam com as mãos e com grafites. Ele fez uma verdadeira obra de arte de um modo rápido e não muito fácil de perceber, tão veloz que era a sua habilidade. Ao final, ele apresentou seu trabalho aos transeuntes que o rodeavam. Ganhou algumas míseras moedas, mas ninguém se prontificou para comprar realmente.
Então, tive que refletir. Que tipo de sociedade o ser humano criou para viver e conviver? Que lugar é esse no qual não conseguimos enxergar o talento que vaga sozinho por aí? Como se pode entender as diferenças entre o talento e o marketing pessoal, que joga uns num campo vazio e outros no estrelato de fama sem dom? Talvez essas sejam perguntas ingênuas ou infantis para muitos dos leitores, mas se pensarem com cuidado, talvez possam entender o que sinto e estou falando nesse texto.

Cada indivíduo possui dentro de si uma arte ou uma ciência qualquer que poderia estar ao dispor da sociedade, que poderia estar enfeitando ou ajudando o lugar onde está inserido.

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Mas nesse mesmo momento refleti também que afinal cada individuo é único, por isso, é só.

Nessa solidão é que verdadeiramente está a magia das suas habilidades ou talentos e que, independentemente de sua condição na sociedade em que vive, são essas virtudes que valem seus momentos de inspiração e que expressam o que significa o valor de cada vida.

A solidão humana não existe emocionalmente, como muitos imaginam. Ela é parte importante da constituição de cada um e nela está reservado o manancial da genialidade. Ela é o lugar no qual todos os dons e todos os talentos se agrupam para dar ao resto do mundo o toque diferente para torná-lo um lugar melhor. O mundo sempre fica melhor quando o ser humano consegue expressar o que há de melhor dentro de si.

Não importa o quanto sofremos todos os dias, contanto que possamos, de dentro de nossa solidão, trazer para fora o mundo real que experimentamos e oferecemos para os outros sem nada em troca. O sucesso desses momentos está espalhado por aí e elevado aos céus e aos ventos para uma continuidade talentosa.