Num dia, a mulher está dormindo e, de repente, o marido começa a amarrar suas mãos. Imobilizando-a, com uma tesoura corta seu cabelo à força. E ainda a ameaça com uma faca. O pretexto é que o cabelo da mulher chama muita atenção. É uma cena provocada pelo ciúme. Ciúme e drogas.

Este foi o último ato do homem ciumento de um drama de três anos, tempo do relacionamento do casal. O primeiro ato do homem que, traído pela primeira mulher, passou a não mais confiar em mulher alguma, expôs a atual companheira a ameaças e agressões, pelas quais sempre pedia desculpas e prometia que tal fato não se repetiria mais, que "melhoraria".

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Assim é a violência doméstica contra a mulher. Há outras provocadas por motivos que quase nunca são identificados. Mas arriscamo-nos a desfilar diferenças entre homens e mulheres, responsáveis por incompreensões e contendas, causas às vezes ocultas da violência.

Para o fato aqui narrado, explicações se extraem do entendimento de que a mulher é inferior ao homem, seguindo Aristóteles (384-347 a.C.), com base, por exemplo, no fato de que a temperatura do corpo da mulher é mais baixa que a do homem. Ou seguindo Confúcio (551-479 a.C.), para quem as mulheres são propriedade dos homens. Ou ainda, pelo fato de que, em outra abordagem, nos Estados Unidos, tidos como exemplo de democracia, as mulheres só tiveram direito a voto em 1920, e na Inglaterra, só em 1928. Mais ainda pelos ensinamentos ainda existentes em religiões como Hinduísmo e Islamismo e até pelos decorrentes do Cristianismo.

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Também de períodos importantes da história como escravatura, feudalismo e capitalismo. Além desses, imagina-se também nos regimes fechados do socialismo. A grande causa é a prática do entendimento de que o homem é superior à mulher, a primeira grande diferença imposta pela sociedade através dos tempos.

O que nos anima, no entanto, é a apreciação de que continuaremos a produzir artigos sobre o tema, com base nos desequilíbrios que afetam as relações sociais e afetivas e produzem violência. Principalmente aquelas em que entram em campo mulheres, do time considerado sexo frágil. Aguarde.