O advento das redes sociais promoveu o preconceito a um estágio nunca visto antes na sociedade brasileira. Se antes costumávamos dizer que éramos tolerantes em relação às "minorias", hoje podemos ver facilmente o quão mentirosas eram as afirmações que somos acolhedores. As manifestações eram feitas em forma de piadas, conhecidas como "humor negro", por grupos privados quando saiam às ruas. Fossem os negros, os portugueses, os homossexuais, os caipiras, as louras, ou qualquer outro alvo, essas ofensas eram veiculadas de forma jocosa, como se pudessem se tornar menores dessa forma.

Atualmente tudo é exposto na Internet, dando margem a reações das mais diferentes ordens, a favor ou contra.

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Os alvos mudam um pouco, mas a postura preconceituosa é a mesma. A intensidade é, entretanto, mais forte. Atualmente, a "bola da vez" são os nordestinos. Historicamente desvalorizados em relação aos habitantes do sul-sudeste brasileiro, os nordestinos são, dessa vez, acusados de darem rumo à política brasileira. De uma forma, é claro, que descontenta àquela parcela da população situada geograficamente mais perto do trópico de capricórnio.

Devemos alertar que democracia é um risco às sociedades preconceituosas e intolerantes. Sim, vivemos em uma democracia. É bem verdade que o sistema político brasileiro nunca foi muito certinho, mas não deixa de ser um reflexo do povo que somos.

É notável, entretanto, que a política brasileira esteve sob influência do Nordeste durante a maior parte da #História do Brasil.

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O progresso industrial que acometeu todo o mundo, e que no Brasil aconteceu, em particular, no sudeste, é coisa recente, dos últimos 100 anos. Mas nem por isso, a política café-com-leite, impediu que o Nordeste estivesse sempre presente nos momentos mais importantes da vida política e econômica do país.

Também ocorreu nessa época de transformação tecnológica uma revolução cultural, quando foram instalados os "tipos" brasileiros: o gaúcho dos Pampas, o caipira do interior, o sertanejo nordestino, e o intelectual das capitais. Vítima de uma seca que já se estendia há décadas, desde meados do século XIX, de forte intensidade, e do desmonte de sua principal indústria, a açucareira, o Nordeste acabou sendo pintado como uma região pobre, sem condições de progresso, sem cultura, sem riqueza, e com muita gente esquálida e necessitada. Essa imagem foi retratada em grandes obras literárias, filmes, músicas e todo tipo de manifestação cultural, que buscava criar e marcar as figuras nacionais.

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Ainda hoje vive no imaginário da população. O fruto do desconhecimento da realidade é que causa o desprezo ao nordestino.

Infelizmente muitas pessoas que se dizem cultas, por terem nascido e estudado fora do Nordeste, acabam aprendendo essas mentiras que ainda são ensinadas nas escolas. Aprendem também a achar que o Nordeste é um peso e empecilho para o progresso e o desenvolvimento, e que, pior, suas vidas seriam melhores se o Nordeste não fizesse parte do Brasil delas. Tolos ignorantes. Não é de hoje que vivemos ideias separatistas. O Nordeste já quis se livrar do resto do país nos tempos da Colônia e Monarquia. Hoje, fazemos parte de um grande país. Muito grande mesmo, e com muita gente. E tanta gente assim, acaba dando margem a essa diferença de ideias. Umas dignas da idade média. Outras mais modernas. Teremos que conviver com elas mesmo que não gostemos. As ideias e as pessoas. É o preço que pagamos por vivermos numa democracia. #Educação