A língua portuguesa assumida por nós brasileiros como oficial veio até nossas terras trazida pelos nossos descobridores ou invasores, ou ainda, os colonizadores portugueses. Após algumas décadas de convívio com as línguas nativas, os portugueses aboliram todas elas. Assim como quase extinguiram todos os seus usuários que eram os indígenas. Adeus tupi, adeus guarani, adeus jê, cariri, iatê.

O português tornou-se língua oficial do país e assim foi por séculos de colonização. Até hoje. Mas como todo bom povo colonizado, aprendemos que só devemos valorizar algo depois de testado, aprovado e consumido no exterior. Aí sim, podemos usá-lo e, de preferência, pagando mais por causa do selo de qualidade internacional.

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Muitos produtos de consumo que usamos são criados por aqui, com matéria-prima nacional, mas só são valorizados e utilizados somente depois de uma voltinha no exterior, no chamado mundo civilizado, ou primeiro mundo. Ainda vivemos esta realidade, por incrível que pareça. Até para os profissionais da moda que vêm fazendo um trabalho autenticamente brasileiro, mas só valorizados aqui se tiverem reconhecimento no exterior. Parece que só tem valor se vier de fora, vide as giseles bundchens da vida. Ela e outras vieram desfilar num evento denominado São Paulo Fashion Week. São Paulo o quê? Semana de moda? Por que em português não pega bem? Temos que usar a linguagem dos nossos novos colonizadores? Ok, let's go.

O português derrotou o tupi-guarani, e agora vem perdendo para o inglês. Fala-se em inglês, divulgam-se produtos em inglês, nomeia-se em inglês, como se o inglês fosse a nossa língua oficial.

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Mas o problema não é só aqui no Brasil. Outras línguas como o francês, o alemão e o italiano também se ressentem da invasão inglesa. E a grande desculpa é a globalização. Como se isso fosse novidade. O grego já foi a língua dominante do mundo, o latim também. Afinal eram faladas nas civilizações com maior poderio econômico, cultural e militar em suas épocas. O francês já teve sua época de sucesso, e hoje o inglês domina o cenário mundial. Nada temos contra o inglês, mas não concordamos com o exagero de se nomear tudo com nomes naquele idioma.

Mas como dissemos antes, isso não é novidade. Lima Barreto, nos anos 1911, escrevia sua crítica na voz de Policarpo Quaresma, personagem de seu romance, que era defensor da língua pátria. Mas da língua original, o tupi-guarani. Era contra a invasão e dominação do português. Noel Rosa e outros autores também criticaram esse avanço de outros idiomas em nossa cultura, com suas artes diversas.

Atualmente é difícil não render-se ao americanismo do idioma inglês.

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Sem ele é difícil arranjar emprego, e até sair da escola, quando se consegue entrar em alguma. Virou uma obrigação soberana saber falar inglês. Será que em breve chegará a época em que seremos proibidos, ou teremos vergonha de usar o português, sob a acusação de parecermos primitivos e ultrapassados? Será que demorará muito a darmos um bye-bye ao português, a última flor do Lácio?

Mas de qualquer forma, assim como o francês era a nossa língua estrangeira oficial no início do século XX e perdeu a hegemonia para o inglês, o idioma ianque certamente sofrerá abalos nas próximas décadas. Seu algoz será nada menos que a língua mais falada no mundo, pelo menos no quesito populacional: o mandarim, vulgarmente conhecido como chinês. Com seu poderio econômico, o chinês será presença obrigatória em qualquer lugar, e em breve, as novelas da Globo estarão mostrando enredos vividos em Xangai ou Hong Kong, com personagens orientais, colocando em nossas bocas expressões e costumes daquela terra. Zàijiàn. #Comunicação