Os profetas fazem o quê? Profetizam. E se hoje os profetas andam sumidos, a #História registra bons exemplos da ação deles.
Sem dúvida nenhuma sua presença mais marcante acontece nos episódios religiosos. De todas as religiões, no mundo inteiro. Algo de místico, sobrenatural e divino o dom de profetizar. E as profecias religiosas não só eram, como ainda são as de maior impacto em nossa sociedade. Exemplos?:
A vinda do Messias, que realmente veio, para uns; e virá para outros.
A volta do Messias, que também já veio para uns; e acontecerá ainda, para outros.
Antecipando a chegada do Salvador, os profetas anunciaram episódios relacionados ao nosso dia-a-dia para que possamos identificar o momento e nos certificar que a época certa da chegada, ou da volta do messias está acontecendo.
Uma das características mais importantes da época da espera é o aparecimento de falsos messias e muitas religiões clamando para si, o direito de ser a escolhida por Deus. Se assim for a verdade, não deve demorar a chegada ou a volta do representante do criador, afinal o que tem de religião e falsos messias por aí, é brincadeira... 
O mundo globalizado, tecnológico e racional vai seguido seu caminho e atrás dele vai o mundo religioso, ritualista e em muitos casos, irracional. Não temos dúvida da importância dos cuidados espirituais por parte do homem. Mas a necessidade de um referencial e de um apoio divino está tão grande, que nós, pobres humanos não sabemos mais a quem recorrer para nos livrar dos malefícios ou prejuízos causados pelo desenvolvimento mundial e pelos acontecimentos normais do cotidiano. Praticamente todo dia pessoas aparecem dizendo ter sido escolhidas pelas forças divinas e superiores e passam a ser arautos de uma verdade. Aparições de figuras bíblicas ou mesmo de recém-mortos tornam ponto de romaria os locais onde aparecem. Alguém diz que viu, ou vê alguma coisa, e aí uma multidão de necessitados vai atrás para ser beneficiado com um pouco daquela réstia de bem-aventurança divina. São os necessitados de orientação espiritual e religiosa que formam essas aglomerações. Acreditam naquilo que aparece pois em mais nada tem no que acreditar. E também a velha prática de acender uma vela para Deus e outra para o diabo.
Um pedaço de vidro numa janela é agora a moda do momento no Brasil. Que bom que o Brasil desta vez entrou no circuito das figuras que aparecem. Que bom que a virgem Maria apareceu aqui, dizem uns. Que tolice dizem outros.
Na verdade esses fenômenos acontecem em todo o mundo e são, tão somente, interpretações diversas dos estímulos que recebemos.
Nossos sensores são excitados pelos mesmos estímulos, mas cabe à nossa experiência e sabedoria interpreta-los de forma correta, e também da forma mais útil para nós mesmos. Daí a necessidade de apoio espiritual detectado nessas pessoas que se dizem abençoados por terem interpretado uma mancha no vidro como a imagem de nossa senhora.
No começo do século passado o médico suíço Rorschach elaborou um teste de personalidade com manchas de tinta, através das quais as pessoas interpretavam aqueles estímulos. Até hoje o teste é utilizado e é uma das mais bem arranjadas ferramentas para se saber como se estrutura a personalidade de um indivíduo.
No caso da nossa senhora da janela de Ferraz de Vasconcelos em São Paulo, a história é outra. O problema não é individual, é sócio-cultural. É objeto de estudo de antropólogos e sociólogos. Que bom se as pessoas não precisassem de uma mancha numa janela para acreditar em Deus. Fé é um processo interno, de nada adianta aparecer a própria virgem Maria e o indivíduo não acreditar nela. Mas acreditar sem que ela exista, é a mesma coisa que acreditar em saci pererê e boitatá. Quem os viu que conte...
#Igreja