Numa das entrevistas pré-campanha da então presidente-candidata Dilma Roussef, eu tive a desonra de ouvir, dela mesma, que o sistema educacional do Brasil teria que diminuir a quantidade de matérias escolares, a fim de não cansar tanto os nossos alunos. Para mim, que tanto aprecio o conhecimento, foi o mesmo que receber um soco no meio da cara, com luvas de boxe, mas com uma ferradura dentro. Eu achava que ela poderia estar brincando, não dava outra. Mas, vamos dizer que ela realmente venha a fazer uma coisa dessas. Simplesmente, o sistema educacional brasileiro estará tirando, dos novos alunos, o autoconhecimento, o criticismo e a capacidade de discernimento e retórica.

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Em outras palavras, vai tornar os futuros cidadãos sujeitos sem capacitação alguma, uma verdadeira mula usando tapa-olhos. É o início do fim, em poucas palavras.

Se, para a presidente e seus colegas de partido, eliminar duas matérias tão importantes para o crescimento humano é algo que vai melhorar o país, sinceramente, não sei o que pioraria. Porque, pior que nosso sistema de #Educação, só o judiciário - este, por sinal, complica-se ainda mais a cada novo bandido posto nas ruas ou preso. Uma coisa leva à outra: quanto menos pessoas agraciadas com o conhecimento, mais bandidos as ruas ganham.

A riqueza de um país não é medida somente por suas riquezas minerais. Se fosse assim, muitos países da África seriam o éden, não formados por deserto, mato e sociedades tribais que ainda vivem como na idade média.

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O mesmo podemos dizer dos vários países do Oriente Médio, também.

E por que é interessante para certos governos ter uma população facilmente subjugada? Simples, porque é mais fácil você controlar uma pessoa sem instrução suficiente, do que ter que discutir a relação com gente (bem) graduada. Este último, além de não ficar calado, tem respaldo intelectual suficiente para a retórica ou para uma tréplica. Enfim, quem é mais instruído, não aceita qualquer coisa que lhes empurram e não tem a goelas livres para o #Governo fazer o que quiser.

Filosofia e sociologia não eram interessantes para o Brasil, também na era da ditadura. Pelo menos, as escolas nas cidades menores não falavam quase nada a respeito, pois era proibido pensar e ser alguém íntegro nesse país. O que os militares falavam era para ser aceito e pronto. Agora, o pessoal do PT está querendo trazer isso de volta, nos moldes civis. O que, talvez, seja muito pior. O que estão querendo fazer é uma afronta aos direitos de aprendizagem, um estupro contra o conhecimento e uma saraivada de balas contra a inteligência do cidadão.

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O problema se mostra ainda maior quando a metade da população, alheia ao que seja autoconhecimento e crescimento intelectual, acaba votando em um partido que usa práticas populistas para ganhar a eleição. Ou seja, essa metade da população mostrou pensar somente alguns milímetros à frente de seus narizes; pensar adiante disso para quê, não é? "Ninguém aqui quer predizer o futuro", falariam alguns mais ignorantes, ainda.

Quando se fala em soluções para uma nação inteira, não se deve pensar de forma imediatista. Diferente disso, os resultados de nossas ações de agora serão vistos daqui a alguns pares de anos, mas com ações positivas, tais resultados serão, da mesma forma, positivos e duradouros, talvez, até mesmo perpetuados. Informação e conhecimento nunca foram demais. Aliás, são dois pontos que colaboraram muito mais do que as religiões para o crescimento da humanidade neste último século.

Voltando à Presidente Dilma, infelizmente, devo dizer que ela foi péssima em sua declaração. Talvez, ela queira para o país que ela governa o mesmo que passou, durante a Ditadura. Mas, queira você ser como ela e verá onde vai parar. Na cadeia, claro, e com o aval de uma ex-militante que, hoje, é rica, tem poder e não está nem aí para o que você aprende ou deixa de aprender.

Pra frente, Brasil!