A crise hídrica, o aquecimento global, a extinção de espécies de animais, o lixo, a ocupação desordenada do solo, a poluição de áreas urbanas, matas, rios e praias. O planeta alerta de várias formas que a humanidade pode estar beirando ao colapso. Por conta disso, uma 'onda' em favor do bem estar e qualidade de vida toma conta da sociedade, que agora procura evitar o consumo de glúten, alimentos orgânicos, produtos que não utilizam testes em animais, roupas ecologicamente corretas e tratamento adequado do descarte dos resíduos sólidos. São as chamadas iniciativas sustentáveis, que se espalham por cidades e países para melhorar o mundo em que vivemos.

Em São Sebastião, Litoral Norte de São Paulo, ainda que tímida, o turista que se hospeda no Centro Histórico, já depara com esse tipo de ação.

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O biólogo, hoteleiro e ambientalista, Eduardo Melchert, desde que mudou para São Sebastião em 1992 desenvolve esquema especial de tratamento do lixo (resíduos sólidos), água e energia em sua pousada, que fica na região central do município, para diminuir os impactos ambientais. Até a decoração de Natal engloba o tema da sustentabilidade com anjos pintados em grandes telas brancas decorando a fachada da hospedagem. "Se você consegue limitar a quantidade que você gasta, pagamos tarifas mais interessantes, menores", explica Eduardo sobre o consumo consciente de água. Para ele, é uma estratégia que surte resultados práticos em seu empreendimento. "Evitamos vazamentos, temos consciência de utilização, forma correta de lavar os pratos e a água esquenta somente enquanto o chuveiro está ligado".

Em cidades americanas, segundo ele, existe uma prática comum entre hotéis e albergues que servem o café da manhã, por exemplo, e outras refeições.

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O que mais chama atenção é que todos os pratos, copos e talheres são descartáveis. "Depois, tem uma pessoa que fica recolhendo isso para botar no saco de lixo. Aqui fazemos todo o serviço de lavar, secar para reutilização. Todos os processos são assim, temos uma preocupação com a água, que é um bem finito", diz ele, que se refere ao procedimento de lavagem de roupas e no chuveiro dos quartos. "O próprio fato de não armazenarmos água quente é uma maneira inteligente de utilizá-la. Como nosso aquecedor está bem perto d' água, ela já sai praticamente quente no crivo da ducha. Demora muito pouco tempo para esquentar. São vários detalhes que estamos atentos quanto à questão do bom consumo da nossa água".

Princípios #Negócios

Com base nesses princípios de preservação ambiental, a pousada acaba integrando e levando essa proposta aos hóspedes, que são surpreendidos ao ver nos quartos três cestos para separar o lixo. Dessa forma, a demanda de lixo que vai para descarte não chega a lotar 1 caminhão por ano. Todo lixo da pousada é separado em uma espécie de centro de triagem, sendo lavados e higienizados. O lixo orgânico vira composto, que leva o nome da pousada, atestando a fabricação própria. "O material é produzido pelo processo de compostagem de resíduos orgânicos: sobras do café da manhã (migalhas de pão, cascas de frutas, borra de café, etc), folhas do jardim da pousada e serragem das marcenarias da região", explica. 
Em 120 dias, a produção é de 100 quilos de composto, que podem ser levados e embalados como lembrança por hóspedes interessados. A sucata é repassada para um catador. "No caso da energia, quando dividimos a matriz entre gás e energia elétrica isso fez uma grande diferença: a luz elétrica aqui só liga lâmpadas, muito poucos motores e computador. Lidamos com o problema do ar condicionado, que se o hóspede quiser ligar para se refrescar, proporcionamos esse conforto a ele".