Depois de 2 meses de campanha política no Brasil e de uma overdose de ideias esquisitas e debates centrados no populismo (quando se sabe que o maior problema no Brasil é a baixa qualidade de comando no país), lembrei-me de um debate que assisti em uma televisão local, há quase 4 anos atrás, logo que o atual e derrotado #Governo do Estado do Rio Grande do Sul assumiu. A Secretária de #Educação recém nomeada esbravejava, gritando contra a meritocracia. Lembro exatamente de suas palavras: "Não admitiremos a meritocracia na educação do nosso estado." Foi bom já estar sentado em minha poltrona. Foi um dos maiores absurdos que já ouvi, exatamente de uma pessoa com tanto poder, pois, na minha opinião, a Secretária da Educação seria a pessoa mais importante no executivo estadual, depois do próprio governador, é claro.

Nunca me destaquei na escola, onde sempre fui mediano, o que também pode ser entendido como medíocre. No Exército, no curso de Oficiais da Reserva, também mostrei minha mediocridade, pois dentre 30 aspirantes, obtive exatamente a classificação 15. Entrei na Universidade na segunda chamada, depois que outros candidatos, que também passaram no vestibular de universidades melhores, escolheram outra em detrimento daquela que eu escolhi. Não sou exatamente alguém que deveria valorizar a meritocracia.

Enfim, depois do choque inicial, comecei a me perguntar como a Secretária da Educação do meu estado escolheria seus assessores: Escolheria primeiro os mais altos, os mais fortes, os mais magros, os mais bonitos, etc. Qual seria o seu critério de escolha? Pois ela deveria utilizar algum. Todos sabemos que o Brasil é famoso pelo excesso de cargos de confiança. Os famosos CCs, que incham todos os setores do governo. Então ela deveria escolher muitos assessores. Seja qual for sua metodologia de escolha, sabemos, depois de 4 anos de péssimo governo, que não deve ter sido uma boa opção.

Decidi falar sobre isso, algo que ouvi há 4 anos atrás, depois de perceber que nesta eleição continuei a ouvir candidatos execrando a meritocracia. Esse ódio à meritocracia me preocupa, pois entendo que se o Brasil não melhorar a qualidade do executivo, não sairá do atoleiro em que se encontra. Atualmente sabemos que a esquerda domina o Brasil e outros países da América Latina. E quanto mais à esquerda é o país, maior parece ser o seu fracasso. Só não entendo qual a causa desta discriminação da esquerda contra a meritocracia.

A esquerda sempre adorou certos ídolos, e toda a idolatria é sempre contrária a meritocracia, pois o idolatrado prefere a escolha de pessoas que o amem, em detrimento daquelas que sejam mais competentes para um determinado trabalho. Nos últimos anos tem se acentuado a escolha de pessoas próximas ao líder, ou ao menos aquelas que não cansam de elogiá-lo. Quando se escolhe para Ministro de Minas e Energia alguém que confessa não saber trocar uma lâmpada ou para Ministro da Agricultura alguém que sempre viveu na cidade, temos a certeza de que as coisas não haverão de funcionar.

Hoje muitos Ministros de governo ou Secretários dos estados são deputados ou senadores. Ora, sabemos que foram escolhidos para cargos no legislativo, não para o executivo. Convocar um deputado para ser Ministro de Estado contraria a própria decisão do eleitor, que não o escolheu para isso. O deputado que aceita o cargo também está contrariando seu eleitor, quebrando a confiança que lhe foi concedida. Além do mais, colocar um político em um cargo técnico é uma temeridade.

Enquanto o Brasil continuar sendo uma Puchassacocracia (sei que a palavra não existe, mas parece ser a melhor forma para explicar o que temos hoje em dia) continuaremos atolados na mediocridade. A melhor pessoa para um cargo será sempre a pessoa mais competente que pudermos encontrar no mercado, independente se ela pertence a esta ou àquela parcela da população que deve ser representada, se é deste ou daquele partido político, se é amigo do chefe, líder de algum grupo de apoio no congresso, etc.