Quando estava com mais ou menos uns sete anos de idade, já pensava na vida. Lembro-me que já tinha certas preocupações de adulto, gostava de pensar.

Muitas vezes, quando estava pensando, sentia um arrepio pelo corpo, até que um dia um senhor sentou-se ao meu lado, ele tinha mais ou menos uns 60 anos eu acho, uma barba bem feita, já grisalha, cabelos bem penteados também grisalhos, um olhar meio triste, mas voz firme. Quando percebi ele já estava lá, sentado ao meu lado e olhando-me com aquele olhar. Fiquei com um pouco de medo, afinal minha mãe sempre falava para não conversar com estranhos. Mas gostei dele, eu era uma presa fácil se fosse nos dias de hoje, era muito sociável.

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Além de conversar com qualquer um que se aproximasse de mim, já logo gostava da pessoa. E com ele não foi diferente. Quando perguntei seu nome ele me disse que se chamava "Amiguinho". Eu ri, achei engraçado e perguntei: _ Por que Amiguinho? Isso não era nome de gente. Ele se justificou dizendo que o nome dele era muito difícil para uma criança pronunciar e preferia que eu o chamasse de Amiguinho. Concordei com a cabeça e ele me fez várias perguntas e disse que estaria sempre ao meu lado a partir daquele momento. Próximos já da minha casa, olhei para o lado para falar mais algumas palavras com ele, mas... Onde ele estava? Havia sumido!

Na minha pequenez de criança, achei que ele devia ter virado uma esquina qualquer, pois ficar falando com uma criança não deveria ser tão agradável.

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Lembro-me bem desse pensamento.

Fui para casa, entrei, nem vi quem estava em casa. Já desde muito pequena, gostava de ficar no quarto pensando na vida, embora não tivesse muita privacidade, afinal éramos cinco irmãos dividindo o mesmo quarto. Mas ainda assim encostei-me à porta. Em nenhum momento passou pela minha cabeça que o tal "amiguinho" pudesse aparecer de novo, afinal ele não sabia onde eu morava, desistiu de me acompanhar no meio do caminho. Será que fui muito chata? ah, não importa, não quis mais ser meu amigo, o problema era dele.

Passaram-se algumas semanas e nada. Passei pelo mesmo lugar e nada. Bom, já que ele tinha desistido de mim eu também desistira dele. Não mais pensei nele daquele dia em diante. Porém certo dia, já desiludida, eis que estava voltando da escola e quando olho para o lado quem esta lá? Sim, meu "Amiguinho"! Daquele dia em diante nossa amizade foi crescendo, ele me avisava quando eu estava correndo algum perigo, me dava broncas com atitudes erradas, ele ajudou a me educar. Ele era real? Bem, isso é outra história. #Família #Curiosidades