Qual brasileiro nunca assistiu ao Xou da Xuxa e ficou taxado de baixinho? Qual menina na época não queria ser uma das assistentes da Xuxa, denominadas "paquitas"? Porém, para obter aquele posto, as características eram um pouco atípicas para a maioria das brasileiras, com uma população mesclada: eram loiríssimas. Quem se deu bem foram as mulheres provenientes do sul do Brasil, que devido à colonização européia herdaram traços de um Brasil branco.

E com um desses exemplos, a TV foi uma amostra de que a telinha é dominada pela maioria branca. Sejam nas novelas, comerciais e filmes, nós estamos tão habituados em vê-la que até passa despercebida aos nossos olhos.

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Esse fenômeno influenciou indiretamente a não aceitação do negro como negro, da mestiça como mestiça. Principalmente nesse aspecto: O CABELO.

Mostrar-se natural, seja com black power, com madeixas crespas e cacheadas, era motivo de reprovação e olhares tortos. Quem assumia seu cabelo da forma natural era extremamente corajosa, a ponto de respirar fundo e transformar seus dias em batalhas contra o preconceito que ainda existe no Brasil que, por ironia, é um país admirado por ter raças miscigenadas que transformaram essa nossa população exótica e com belezas extremamente raras.

A sociedade obrigava o liso das mulheres brancas, das atrizes de TV, desde sua mocinha até a vilã. A indústria de cosméticos enriqueceu e acompanhou toda essa mobilização, desenvolvendo produtos que, se observarmos, a química utilizada é motivo de assombro.

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Seus cachos são rebeldes, deveria relaxar. Seu cabelo é duro, deveria alisar. Seu cabelo é muito crespo, deveria escovar. E eles venceram na maioria das vezes.

Algumas brasileiras cansaram. Aprenderam a dizer não. São essas mulheres que contam os meses para redescobrirem seu cabelo e se libertarem da escravidão da química: mulheres que estão passando pela transição capilar, que consiste em cortar todo o cabelo quimicamente tratado e aceitar sua forma natural. Além do mais, durante a transição, são usados produtos genuinamente naturais, para fortalecer e definir os cabelos para que cresçam saudáveis.

Isso é um ato de coragem e auto-afirmação, que a beleza não está em fios esticados. Eu diria bravura, pois o sonho de consumo de qualquer mulher é ter os cabelos longos. Mas elas não se arrependem. Gostam de ver os cabelos enrolando ou encrespando a cada dia que passa e a auto-estima dobra, pois os cuidados capilares demandam alguns minutos de terapia para si mesmo. Cada dia aparecem mais simpatizantes da prática, que dão força umas às outras e repassam o conhecimento das experiências.

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Prova disso são os milhares de vídeos de mulheres com madeixas cacheadas e crespas, ensinando desde penteados a mensagens de incentivos.

A essas mulheres, eu digo: vocês são lindas do jeito que são! Seu cabelo crespo ou cheio de cachinhos é motivo do Brasil ser um país naturalmente formoso. A transformação também engloba seu corpo, sua personalidade: a sua aceitação é mais formidável que os julgamentos de uma sociedade que infelizmente é cravejada de preconceitos. Com a união de adeptas, todos começarão a olhar seus lindos cabelos como objeto de consumo e quem agradecerá é você mesma, por ter tomado essa decisão o quanto antes. #Moda #Opinião