Sei que é um tema recorrente. Mas, infelizmente, é um tema sempre atual. Não há como não lembrar, enquanto fazemos uma refeição, de quem não tem essa refeição. E não falo especificamente da fome que assola populações em regiões de extrema pobreza. Falo também da fome de pessoas que, por um motivo ou outro, não têm trabalho, estão em um momento difícil e muitas vezes não estão sós, precisam alimentar também sua família.



Por outro lado, há o desperdício de alimentos. De acordo com  a ONU, um terço dos alimentos produzidos são desperdiçados: “Não podemos permitir que um terço de todos os alimentos produzidos seja perdido ou desperdiçado devido a práticas inadequadas, quando 870 milhões de pessoas passam fome todos os dias”, diz o Diretor-geral da FAO¹, José Graziano da Silva.



Fica então um impasse? Falta lá, joga fora aqui? Nada disso. Enquanto não se tem uma solução maior para o problema global, trata-se de forma local. Veja dois casos, entre tantos, de pessoas que fazem a diferença em suas comunidades:

The Real Junk Food Project

Ativistas e profissionais da área alimentícia têm como objetivo causar uma mudança radical em nosso sistema de alimentação. Adam Smith e Johanna Hewitt começaram o projeto em Melbourne, na Austrália e em seguida voltaram e o levaram para sua terra natal, Leeds, na Inglaterra, onde foi abraçado por outras pessoas.


A meta do projeto é aproveitar o que seria desperdiçado e que está em perfeitas condições de ser consumido. Com os alimentos que seriam jogados fora, o grupo serve refeições no estilo PAYF - pay-as-you-feel, que o cliente paga o preço que acha justo ou o que tem para pagar. O que atrapalha ainda é a legislação de segurança alimentar, que é confusa, mas pelo menos já temos um começo, alguém fazendo alguma coisa.

 JBJ Soul Kitchen

Um ídolo nos anos 80 e 90, um sucesso, tanto com a sua banda ou em carreira solo, Jon Bon Jovi alcança o sucesso maior da sua carreira solo - assim como respeito e admiração - com o projeto JBJ Soul Kitchen. O que é? Trata-se de um restaurante comunitário em Red Bank, New Jersey, que faz parte do programa da Fundação JBJ Soul, onde o cardápio não tem valores, mas as refeições custam um valor mínimo de 10 dólares - para quem tem para pagar. Quem tem 10 doláres, paga, que tem mais paga mais e a diferença vai para colaborar com quem quer uma refeição e não tem os 10 dólares.



E quem não tem nada?  Quem não tem pode trocar a sua refeição por 1 hora de trabalho voluntário no restaurante - pode ajudar na arrumação das mesas, como garçom ou garçonete, ajudar na limpeza, entre outras tarefas. Esse trabalho voluntário é aberto tanto a quem precisa de uma refeição quanto a quem quer somente ajudar quem precisa - mas tem uma coisa bem clara: haverá sempre uma oportunidade aberta para aqueles que precisam alimentar-se ou alimentar a sua família.



Diz no manifesto do restaurante: “No JBJ Soul Kitchen um lugar está reservado para você se você estiver faminto ou se a sua fome é de fazer a diferença em sua comunidade. Porque acreditamos que uma alimentação saudável pode alimentar a alma”.



Tem como não ter fé na humanidade? Com um pouquinho em cada comunidade, o local aos poucos se torna global e quem precisa tem um pouco mais da sua esperança renovada.



¹FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura