Já existia o bolsa-crack, no valor de R$ 450 reais mensais e mais o direito a três refeições diárias e moradia, esta no centro da cidade. Em compensação, os beneficiários, viciados em crack da chamada Cracolândia, têm de trabalhar varrendo as ruas pelo período fixo de quatro horas. Não são obrigados a passar por tratamento para sairem do vício. O resultado parcial mostra que cerca de 40% dos participantes desistiram e 21% deles saíram para trabalhar dignamente, ou seja, com carteira assinada. O programa custou ao município R$ 15 milhões de reais somente com treinamento de pessoal até o momento.

O sucesso desse programa é discutível, sendo apontada com maior crítica o fato de que, com "maior renda" disponível, os viciados passaram a consumir mais crack.

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Também com a comodidade e a facilidade de ocupação de espaços, os viciados passaram a praticar em maior número os pequenos furtos. Os traficantes também tiveram aumentado o seu "comércio": Há a noção de que, em dias do pagamento, o valor da pedra de crack sobe de preço. A prefeitura, no entanto, nega esses dados, afirmando que houve uma diminuição de 33% dos pequenos furtos e de 80% dos roubos de veículos.

Algo continua com uma tendência irreversível: viciados a qualquer hora do dia ou da noite consumindo drogas. Se bem que não é só em São Paulo. Acontece em outros grandes centros urbanos do país. A conclusão desse comentário é de que esse programa que foi intitulado "De Braços Abertos", mesmo bem intencionado e direcionado, não está dando o resultado esperado.

Agora é a vez do "Transcidadania".

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A inspiração parece pertencer a uma filosofia petista de atendimento às necessidades do povo através de benefícios pessoais. Já chamado de "bolsa-travesti" (parece-nos pejorativamente), é uma faceta do incentivo governamental destinado a amparar marginalizados. O prefeito de São Paulo já havia admitindo prioridade aos que se enquadram no LGBT: gays, lésbicas, bissexuais e outros. Dizem partidários paulistanos que o atual prefeito não quer deixar espaço para a ex-prefeita Marta Suplicy (que supostamente almeja voltar à prefeitura), neste ninho em que ela se sente inteiramente acolhida. Ele quer aninhar-se sozinho aí, já que será candidatado à reeleição.

Disputas à parte, o programa já conta com cem inscritos e, está orçado inicialmente em dois milhões de reais. Mas há sérios problemas que dificultam sua implantação. De início, não há muito interesse, vontade quanto ao principal objetivo que é oferecer ensino a uma maioria de semianalfabetos que fazem parte de um contingente de moradores de rua, desempregados, pedintes, os quais, pelos ideais da prefeitura, adquirindo escolaridade, poderiam conseguir trabalho remunerado.

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Além disso, mesmo habilitados para trabalhar, seriam discriminados por empregadores face a seus hábitos. E mais: o salário que receberiam nem sempre superaria o que percebem na prática da prostituição.

Da mesma forma que o "De Braços Abertos", para viciados, o "Transcidadania" tende a fracassar. Fica, no entanto, para todos nós a expectativa de que, debaixo de outros promotores, com objetivos diferenciados e mais idealistas, livre de ambições políticas, surja uma instituição que ajude de fato a essa minoria da população. #Educação #Desemprego