Os smartwatches são a nova moda, mas será que sua chegada pode decretar o fim dos prestigiados relógios suíços?

Bom, quem conhece as obras de arte do Ateliers DeMonaco sabe que há um verdadeiro abismo separando a conveniência e a praticidade da tecnologia do prestígio e da excelência da relojoaria. “Se você quer um cronógrafo de verdade, ele está aqui”, diz um dos criadores da grife, Pim Koeslag, enquanto mostra o seu Grand Tourbillon Minute Repeater. “São 400 peças mecânicas, cuidadosamente polidas e montadas a mão”, detalha Koeslag. Não é à toa que uma única unidade deste modelo, feito totalmente em ouro branco, custa US$ 200 mil – o equivalente a mais de R$ 620 mil.

Publicidade
Publicidade

Isso em Genebra, diretamente “da fonte”.

O mestre-relojoeiro também assina os modelos da Frédérique Constant, marca suíça que atua em um segmento menos principesco, com valores de até US$ 30 mil – o equivalente a pouco mais de R$ 90 mil. E foi o presidente-executivo desta marca, Peter Stas, que convenceu Koeslag a embarcar em um projeto do século 21: criar seu próprio smartwatch.

O novo produto combinaria as funções de um ‘fitbit’, que mede toda a atividade física do usuário, com a qualidade de um relógio suíço tradicional pelo preço de entrada de US$ 1.200. A parte eletrônica seria feita por uma empresa do Vale do Silício, nos Estados Unidos, e, apesar de preservar a imagem tradicional de um ‘Swiss Made’, o modelo teria conectividade Bluetooth para “conversar” com smartphones.

Publicidade

“Eu nunca havia trabalhado com chips ou sensores”, disse Koeslag.

Para o presidente-executivo da TAG Heuer, Jean-Claude Biver, atualmente, ninguém precisa de um relógio para saber a hora. “Um modelo suíço marca seus donos como homens ou mulheres que apreciam qualidade, é algo extremamente simbólico. Um relógio mecânico é um produto que antecede a era digital, que antecede até mesmo a eletricidade. Ele é atemporal, um pedaço da eternidade que não pode ser substituído por um smartwatch da #Apple, defende.

Bom, o relógio inteligente da Frédérique Constant foi apresentado em janeiro deste ano, na Baselworld, e o Horological SmartWatch foi muitíssimo bem recebido pela crítica e pelo mercado. Mas ele trouxe consigo outra questão: o que significa ser um mestre-relojoeiro no mundo digital?

“Qualquer companhia do Vale do Silício pode criar um relógio com estilo suíço para o mercado de luxo europeu. Mas sabemos que os modelos de prestígio vêm da Suíça e nossa história de refinamento é muito diferente da cultura do iPhone”, afirma Stas. “Não criamos um produto que tem que ser recarregado todas as noites e que, talvez, em três ou cinco meses será deixado de lado. E ainda há uma coisa que dá medo: uma vez que seu relógio passa a lhe dar ordens, o que você vai fazer?”, indaga.

Publicidade

Sobre uma nova “Crise do Quartzo”, Biver, da TAG Heuer, é enfático: “A Apple está gastando milhões para convencer jovens que nunca usaram um relógio a retomarem este hábito. Quem sabe, depois que se reabituar a ele, este público não vai querer uma máquina que, em certo sentido, está fora do tempo?” #Inovação #Curiosidades