Indicar um automóvel importado, com muito conteúdo e alta performance, é tarefa fácil, até porque ninguém tem dó do dinheiro dos outros. Nos sites das principais publicações do setor automotivo, os novos Subaru WRX e WRX STI, lançados oficialmente no Brasil na semana passada, vêm sendo indicados como boas opções em relação a modelos de Audi, BMW e Mercedes-Benz. Os esportivos que abandonaram o prenome Impreza têm preços sugeridos de R$ 147.900 e R$ 194.900, respectivamente, valores condizentes com seu pacote técnico e, principalmente, com seu desempenho. Mas a coisa não pode ser reduzida a isso e, como costumo dizer, escolher a esposa certa é o primeiro passo para evitar que seu casamente termine em um divórcio litigioso.

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Então vamos lá:

Antes de mais nada, fiz uma pesquisa sobre os números de vendas da dupla no Brasil e, para minha surpresa, não encontrei nenhum dado comercial, nos últimos três anos. Em 2014, por exemplo, 914 corajosos compraram um Subaru no país – mais especificamente o Forester, um misto de perua e utilitário-esportivo (SUV). Sobre o Impreza, os outros veículos da marca ou qualquer versão WRX não vi nada, mas entre janeiro e junho deste ano foram vendidas 606 unidades do Forester.

Vamos crescer 95% neste ano, alcançando um volume de 2,2 mil unidades”, projeta o diretor geral da Subaru brasileira, Flavio Padovan. Ele avalia que os clientes da marca são “pessoas incomuns” e garante que a cota pedida para a matriz japonesa, que corresponde ao triplo do volume de dois anos atrás, está dentro do planejamento estratégico.

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“Tínhamos muito espaço para avançar, até porque a marca estava subvalorizada por aqui”, pontua Padovan. “Vamos abrir quatro novos concessionários até o final deste ano – hoje, são apenas dez pontos, em todo o território nacional – e voltarmos para Minas Gerais e o Rio Grande do Sul”.

No mês passado, os preços da gama Subaru subiram até 5% e, mesmo com o aumento da média diária de vendas de 73 unidades, em 2014, para 126 unidades, no primeiro semestre deste ano, isso representa parcos 12 veículos por mês para cada concessionário – um a cada dois dias e meio. “Nossa expectativa é para um volume de vendas mensal de 40 unidades, somadas as duas versões do novo WRX”, disse o diretor de vendas da Subaru, Danilo Rodil. O executivo só não explica como indicaríamos para o leitor mineiro, por exemplo, a compra de um automóvel cuja marca sequer tem concessionário em Minas Gerais?

Bom, no Estado, os três maiores jornais de Belo Horizonte fizeram isso, enfatizando a força dos 270 cv do WRX e dos 340 cv do WRX STI.

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A tração integral, que na versão mais potente e cara traz diferencial central multimodo (DCCD), em que o motorista tem seis níveis de bloqueio como opção, além de três programações automáticas, representa a quintessência da engenharia neste quesito e isso ninguém nega. Mas nenhum dos jornalistas que estiveram na festa promovida pela Subaru, para apresentação da dupla, compraria um destes modelos com seu próprio dinheiro – nem que tivesse R$ 200 mil em sua conta bancária.

A verdade que é que apesar de serem velocíssimos e avançadíssimos, WRX e WRX STI são péssimas escolhas. #Automobilismo #Inovação #Blasting News Brasil