Uma situação calamitosa começa a se instalar no Estado do Ceará. A cada dia se agrava mais a situação da falta de água no Ceará. De acordo com os órgãos que monitoram os recursos hídricos no Estado, muitos açudes estão com um volume muito baixo de armazenamento e outros já esgotaram seu volume e estão completamente secos. A previsão dos Institutos de Meteorologia é de que o ano que vem será de seca para o Ceará. Ela será causada, principalmente, pelo fenômeno El Niño, que estará mais intenso nestes próximos períodos.

Embora o governo do Estado não reconheça oficialmente que a seca já chegou, os cearenses já começam a sentir na pele os efeitos da mesma.

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Por parte das autoridades não existe medida nenhuma eficiente, até agora, para resolver o problema, além das providências paliativas, que exigem o racionamento de água por parte da população e a taxação do consumo em excesso.

A Companhia de Recursos Hídricos do Estado do Ceará (COGERH) monitora atualmente cerca de 153 açudes no interior do Estado do Ceará. De acordo com informações divulgadas pela Companhia, destes, 124 estão com uma capacidade de armazenamento de água em torno de 30%. Do total acima, 36 possuem apenas 1% de sua capacidade de armazenamento, sendo que 12 deles já não existem, pois estão completamente secos. Pelos cálculos da COGERH, o volume total de armazenamento de água de seus reservatórios hídricos é calculado em torno de 18,81 bilhões de metros cúbicos de água. Atualmente, este volume encontra-se em 2,74 bilhões, o que corresponde a apenas 14,6% da capacidade total do sistema.

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Os efeitos da falta de água também estão se refletindo nas alternativas que os agricultores e moradores das regiões afetadas usam para aliviar a escassez hídrica. As cisternas, que são usadas para se armazenar água e outros tipos de tecnologia, estão secando, pois não há chuvas suficientes para repor o volume perdido. De acordo com José Francisco de Almeida, Secretário de Políticas Agrícolas da Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado do Ceará, não se tem mais água nos açudes para prática da lavoura. A situação, segundo o mesmo, vai ficando muito difícil e está  marchando para um verdadeiro estado calamitoso. 

As consequências para a #Agricultura e para a pecuária são enormes. Muitas cidades já são bastantes afetadas. Um exemplo é Caridade, cujo açude principal, que abastece a cidade, esta completamente seco. As pessoas têm que andar cerca de meia hora a pé, às vezes, para poder ir coletar água em algum poço. De acordo com Almeida, a solução mais emergencial seria a população poupar o máximo que puder, além do uso de tecnologias, construção de mais açudes e o uso de adutoras de ligação rápida.

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Entretanto, o mesmo concorda que a solução melhor seria a transposição das águas do Rio São Francisco. Por isto, Almeida apela para que o mesmo seja feito o mais rápido possível. 

A previsão de seca para o ano que vem contribui para aumentar o temor dos cearenses. Se a estiagem se confirmar, os agricultores estimam uma diminuição de 40% na produção agrícola do Estado. A área plantada já foi reduzida pela metade. Na pecuária, por exemplo, o rebanho de ovinos sofreu uma redução de 30%. Os agricultores temem um estado completo de miséria e fome. Enquanto isto, as autoridades locais, no caso o governo do Estado, ainda não sinalizou com alguma medida que alivie o problema.

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