Pela primeira vez, a mãe do soldado da Polícia Militar do Ceará, Augusto Herbert Félix, 27 anos, assassinado na última sexta feira, dia 12, no bairro do Pici, em Fortaleza, aceitou falar com a imprensa. Daniara Félix, 50 anos, teceu severas críticas às autoridades do Estado, em especial ao governador, ao secretário de Segurança e ao comando da Polícia Militar no Estado. Ela aproveitou para denunciar o tipo de tratamento ao qual os policiais são submetidos e sobre a possível proibição de usar a própria arma em caso de confronto com bandidos.

Augusto Félix tinha 27 anos e foi morto ao tentar reagir a um assalto, quando dois bandidos tentaram assaltar a moto em que trafegava e seus pertences.

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Na ocasião, o militar estava de folga e se dirigia para a academia, na qual era sócio, no bairro do Pici. Ao perceberem que Augusto era policial, um dos assaltantes entrou em luta com o militar. O soldado conseguiu matar o bandido, entretanto, foi morto pelo segundo com nove tiros, sendo sete na cabeça da vítima, um no braço e outro nas costas. Todos disparados à queima-roupa.  

"Soldados trabalham algemados"

Daniara Félix, mãe de Augusto, aceitou falar sobre o caso e fez severas críticas ao governador do Estado, Camilo Santana, ao secretário de Segurança, Delci Teixeira e ao comandante da Polícia Militar, Giovani Pinheiro. Ela os chamou de 'covardes', pois o trabalho que é feito pelas autoridades é apenas de gabinete. A mãe do soldado chegou a dizer 'algumas verdades' ao próprio secretário de Segurança, durante o velório do filho, no último dia 13 e impediu que o representante do governador permanecesse durante o ato.

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"Os soldados são obrigados a irem para a rua, portando pistola .40, entretanto, a orientação é que não podem usar a arma num confronto com bandidos". Ela denuncia que os policias estão "trabalhando algemados".  A mãe do policial morto sugere, a estas mesmas autoridades, que vendessem as armas usadas, pois deixariam de fazer mais peso na hora de fugir dos bandidos.   

"Policial morto é troféu de bandido"

A mãe desabafa que o "bandido quando for preso pelo #Crime, ganha tatuagem de palhaço na prisão e é recebido com palmas pelos demais. Vira herói. Fica conhecido como o matador de puliça".

Sem o menor constrangimento, Daniara conclama aos colegas de farda de seu filho que trabalhem da mesma forma que as autoridades, que só fazem o trabalho de gabinete. Ela apela para que "todos os policiais passem a se arriscar menos, pois se prendem um bandido, é mais certo ele sair mais rápido da cadeia que o próprio policial". Ela sugere ainda que "se os militares passassem a chegar duas horas depois em uma ocorrência, talvez a importância que a polícia tenha pudesse ser vista com mais cuidado pelo governo". #Violência #Casos de polícia