Segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública e Desenvolvimento Social do Ceará (SSPDS), a quantidade de mulheres que são vítimas de agressão continua ainda bastante elevada. Mesmo com a promulgação da Lei #Maria da Penha (11.340/2016), o panorama do enfrentamento à violência contra o sexo feminino ainda segue um longo caminho e ainda esbarra na resistência de muitas em chegar até aos órgãos competentes para denunciar estes tristes atos.

Os dados quantitativos da violência no estado do Ceará

Um estudo feito pelo jornal O Povo, junto aos órgãos de segurança pública do Estado mostrou que, após a Lei Maria da Penha entrar em vigor em 2006, portanto, depois de uma década, os casos registrados de #Violência contra a mulher totalizaram 24.855 episódios.

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Este número corresponde às agressões sofridas no âmbito doméstico e foram contabilizados desde 2008 até o mês de junho deste ano. Os dados mostram que, dentro de um período de até três horas, uma mulher é vítima de algum ato violento no Estado. Isto corresponde a cerca de 8 mulheres por dia e a 3 mil vítimas ao ano. Todas elas estão situadas na faixa etária entre os 35 e 64 anos de idade. 

Com relação aos casos de assassinatos envolvendo mulheres, a SSPDS registrou um total de 326 vítimas que foram mortas no próprio ambiente familiar entre 2008 e 2016, no estado do Ceará.

Nos primeiros meses de 2006, após a promulgação da Lei, Fortaleza registrou 4.711 casos de agressão. Este número foi maior ainda no ano seguinte com 6.765 queixas de agressão. Somente neste ano de 2016, até o mês de junho, forma feitas 1.563 denúncias, o que representa mais que o triplo em 2008, com 449 casos.

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No estado, o medo de denunciar os crimes é o maior empecilho para se erradicar este tipo de violência

Segundo as autoridades, apesar dos avanços proporcionados pela nova Lei, o receio das vítimas em relatar este tipo de crime ainda é uma constante. A opinião é de que os casos de violência deveriam ser ainda maiores, caso todos os seus autores fossem denunciados. Muitas mulheres costumam postergar este tipo de decisão durante anos, antes de optarem pela mesma. Algumas nem chegam a tentar fazê-la. Além disto, o desconhecimento sobre quais atitudes podem ser consideradas uma agressão constitui outro fator que dificulta o dimensionamento do problema. 

De acordo com magistrados e titulares de delegacias que atuam na área da violência familiar, a Lei Maria da Penha constitui um grande avanço, na medida que trouxe um apoio maior às vítimas deste tipo de agressão. Agora as mulheres dispõem de uma série de medidas protetivas que trazem a garantia de que as mesmas não estarão desamparadas. Isto traria um certo estímulo para que mais casos possam ser denunciados.

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Além dos juizados, existe toda um rede de proteção constituída também por casas de apoio e centros de referência. A violência contra mulher deixou de ser restrito ao ambiente familiar e atingiu os patamares de um crime contra toda a sociedade e constitui um sério atentado contra a própria humanidade.  #Ceara