Dia desses estavam dois caboclos conversando lá pelas beiras do bar (por medidas de prevenção o nome não será citado) quando surgiu uma discussão que, a princípio pareceu sem lógica, mas dada à razão percebeu-se uma grande lição de vida para muitas vidas por aí afora.

No diálogo verificou-se uma dúvida quanto à forma de pronunciar, ou seja, se "se devia dizer "o mané foi-se" ou se o correto seria "o mané se-foi". Questão difícil, pois a compreensão e a resposta dependia da forma do entendimento da pessoa, no momento da abordagem, e isso pareceu difícil, pois os argumentadores se divergiam, gritavam, berravam aos quatro ventos e em certa altura da conversa pareciam até querer "engolir" um ao outro.

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Difícil resolver essa questão? Ninguém pode dizer que sim e nem que não, principalmente porque outro fator dificultador pairava no ar: os costumes da região onde o assunto estava em pauta e talvez fosse essa a maior das dificuldades de se encontrar uma solução, pois os costumes, como todas as pessoas sabem é que determinam a compreensão de muitos fatos regionais, assim, sujeito graduado, especializado, Msc, Phd e/ou possuidor de qualquer outro título acadêmico, por mais severo viesse ser não conseguiria impor a solução no problema em pauta, pois tem gente que ao dizer que pau é pedra "é pedra", e pronto e acabou.

A discussão arrolou a participação da maioria das pessoas da região. Arrumaram até palanque, sistema de som e muita, mas muita cachaça da boa para, argumentando, tentarem chegar a um consenso.

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Isso aconteceu no dia primeiro de abril, mas até o dia de ontem (o dia de hoje ainda não terminou) não se teve notícia sobre qual seria então, a forma correta de dizer, ou seja, se a forma correta era pronunciar o mané foi-se" ou se o correto seria "o mané se-foi".

Para piorar a situação naquela bagunça gramatical, veiculou que, por coincidência, que um tal sujeito apelidado de "manué rosa" havia falecido naquela tarde e que a casa eterna do coitado seria no dia seguinte. E de fato foi. Daí associando o problema em discussão que "varou" pela noite adentro e o cortejo pela morte do "manué", na manhã seguinte um dos já bêbados e cambaleantes cablocos aos berros arquitetou um outro problema: vou na frente ou na frente vou nessa fila?

Querem saber qual foi o resultado disso tudo? Bom, eu mesmo não sei, pois devido à confusão que foi armada por causa do surgimento desse segundo problema achei melhor montar em meu cavalo, e devagar ouvindo os seus tropeços dar o fora antes que o tal "manué" resolvesse se levantar e opinar sobre sua própria situação.

Agora... o correto seria dizer "se levantar" ou "levantar-se?"

Fui.