Era uma vez.... Identificamos as histórias de contos de fada por esse início e a partir daí lemos os livros para os nossos filhos. De preferência reproduzimos palavra a palavra o que nele está escrito. Deixamos a nossa criatividade de lado e passamos a ser somente leitores e infelizmente sem nos darmos conta torcemos para que nossas crianças durmam antes de virarmos a primeira página. Depois torcemos para as nossas crianças aprenderem a ler o mais cedo possível e transferimos a tarefa da leitura e o pior é quando ela pede para demonstrar que já sabe ler e damos a desculpa que "agora eu não posso, mais tarde quando for dormir você lê para mim".

O que descrevi são verdades em muitos lares por gerações.

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Mas de fato existem pais criativos. Talvez esteja num momento especial da minha vida pessoal, onde tenho buscado lembranças como filho, irmão e pai. Em especial herdei do meu pai um pouco dessa criatividade. Deitávamos para ouvir histórias sem livros mas de uma riqueza em fantasia e paciência sem igual. "Era uma vez, sabe...", isso nos permitia interagir "para usar uma expressão executiva", mas simplesmente participar da criação da mesma. Existia uma riqueza que podia ser a mesma história com os mesmos personagens, sendo contadas diariamente de formas diferentes, enredos e finais eletrizantes que Mr Walt Disney ou os irmãos Grimm ficariam estupefatos.

Aqui incluo ainda o simples fato de criar e repetir em narrativa, desenhos animados vistos somente nos fins de semana. Impressionante que por mais cansado ou exausto que pudesse estar ele nunca reclamou ou se negou para este "trabalho noturno". Fazia com maestria e notava-se um enorme prazer, mesmo quando estávamos em sua cama. Em particular gostava mais quando estávamos os 3 (Eu, meu irmão e meu pai) deitados no sofá. Herdei esse dom de meu pai e pude replicar isso para o convívio com os meus filhos.

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E o mais divertido era responder às perguntas do tipo:

- Pai, mas não é assim..

- Sim, e porque não pode ser? Como você gostaria? Podemos criar outra.

Ou ainda simplesmente ouvir uma linda frase:

- Pai gostei, obrigado!

Ou somente ouvir o silêncio de quem adormeceu antes do fim, num sono profundo e gostoso, recarregando as energias para um novo dia.

Não importa como fazemos. Cada pai, com certeza tenta sempre fazer o melhor, seja lendo um livro com gravuras, tentando reproduzir palavra a palavra o que se lembra de uma história. Seja narrando um episódio de um desenho animado ou de um filme ou inventando histórias. O mais importante é estar com nossas crianças intensamente. Fazermos desses poucos minutos como os que poderiam ser os últimos de nossas vidas.

É fazer com que nossas crianças cresçam apaixonadas e percebam que a vida é completa de alternativas, caminhos e escolhas. E finalmente que elas possam entender que cada decisão tem um peso em suas vidas, mas em algum momento podemos ter que mudar para buscarmos novas rotas e rumos e as lembranças desses contos ouvidos irão ajudá-los.

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#Entretenimento #Educação