Parece que o velho e saudável hábito de tocar as mãos, abraçar, sentir a presença real de nosso interlocutor agora é fato ultrapassado, "coisas de velho", fora de moda e desnecessário... Os olhos que antes procuravam outros olhos e, tímidos, escondiam-se atrás de um sorriso meigo e transparente, agora estão enfeitiçados pelas telas dos PCs, tablets, celulares e outros tantos aparelhos que, ao mesmo tempo que trazem o mundo até nós, também nos afastam do que somos, fomos, ou seríamos. Sei lá… A confusão é tamanha que eu preciso urgentemente falar com um de meus amigos pessoais, digo, virtuais, uma vez que lá fora, no mundo real, eu sei que não encontrarei nenhum deles.

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De repente a gente se vê diante da tela de um computador a escrever assuntos e a descarregar emoções que seriam muito mais agradáveis de serem discutidas se tivéssemos a nossa frente um amigo em quem confiar, um ombro amigo onde se apoiar, etc... As "janelas" se abrem à nossa frente e, uma a uma, vão nos desvendando mundos de magia e de mistério, de encanto e de conhecimentos. Mas as janelas de nossos corações não se abrem para o bem mais precioso ao ser humano: o afeto puro e sincero!

Recebemos mensagens de carinho, de aniversário, de fim de ano, mas em nenhuma dessas mensagens podemos entender o que realmente sentiu quem nos enviou tais mensagens no instante em que teclava, tentando desesperadamente revelar seus sentimentos. Talvez os "KKK", "RSRSRS", "ABRÇS" e outros símbolos usados comumente sejam a única forma de demonstrar nossos sentimentos através da internet! Estamos na era do avanço virtual e da solidão pessoal! Somos tragados pela falta de tempo, devorados pela tecnologia que aumenta nosso poder da #Comunicação, mas que é inimiga do verdadeiro vínculo, do contato pessoal, do toque e do olho no olho...

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Seria a desumanização dos relacionamentos? Como podemos pedir algo, nos relacionarmos ou nos entregarmos a alguém a quem não vemos e nem podemos sentir em sua real pessoalidade? O avanço tecnológico e a comunicação virtual acabam nos mostrando um outro sentido: um sentido com o qual podemos nos relacionar e sentir sem tocar; imaginar, sem ver; desejar sem que esse desejo se consuma e se concretize na sua totalidade. Estamos na era da "Afetividade Virtual"! #Entretenimento