Imagine que nas suas férias fica num hotel. Começamos bem. Continue imaginando que para chegar a esse hotel, em vez de ir carro, vai de barco e que para ir para o quarto, em vez de subir no elevador, desce numa escada… íngreme. Imagine que ao chegar ao seu quarto, em vez de uma linda paisagem com montanhas nevadas, ou uma vista noturna de uma estonteante megalópoles, ou um pôr do sol romântico num fim de tarde caribenho, tem …água. Muita água. Os quadros nas paredes desse quarto não são estáticos, movem-se e vão variando a cada segundo, mas todos têm o mesmo padrão como se se tratasse de uma obsessão do pintor: só peixes.

A possibilidade de concretizar o que está imaginando, é real, se fizer marcação para um minúsculo hotelzinho na Ilha de Pemba na Tanzânia, no qual o quarto fica quatro metros debaixo de água. Literalmente vai dormir rodeado de peixes e de manhã quando vier à tona, ou seja, quando sair do quarto, vai querer ver seres sem guelras… Vai poder conhecer AlJazeera Al Khadra (ilha verde em árabe).

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Respire fundo e comova-se, porque viajar também é isso. Viajar é quase só o IMENSO isso: comoção. Aqui tem motivos, porque está no local que hoje é considerado o berço da Humanidade - aqui estão os fósseis dos primeiros seres humanos, as mais antigas pegadas, com dois milhões de anos. Tanta antiguidade não impediu que esta terra fosse palco da mais abjeta e, reza a triste História, violenta escravatura. Foi passando por domínios diferentes - Alemanha, Reino Unido - e no entanto tão iguais em força e tão distantes ambos da suavidade do azul do mar do arquipélago de Zanzibar… Só em 1995 e já com a independência chegaram as primeiras eleições, muito tempo - demasiado tempo - depois das primeiras pegadas!

Antes de regressar ao seu submarino programe outras visitas, porque a Tanzânia parece que teima em entrar para o livro Guinness dos Recordes: tem o Kilimanjaro com suas neves eternas (cada vez mais recuadas por causa da insanidade do aquecimento global) - o pico de maior altitude do continente africano - tem o Lago Vitória, o maior, e o Tanganica, o mais profundo.

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Quando visitar a capital, Dodome, ou a maior e mítica Dar es Salam (há nomes que nos dão uma vontade de entrar num avião!) saiba que o mais antigo povoado do planeta é um dos países mais pobres do mundo com um daqueles PIB/habitante que não sei de cor mas que dá conta certa para viver sem dignidade.

Ao fim do dia, de regresso à profundidade do seu aposento, relaxe para processar e gravar no coração o que viu. Mas cuidado, se sentir calor, evite abrir a janela porque o Oceano Índico entrará pelo seu quarto adentro! #Turismo