Que a ausência de água nas torneiras mudou a vida das pessoas Brasil afora, ninguém duvida. Desde que a crise começou todo mundo passou a procurar alternativas para economizar água e alguns chegam a inventar engenhocas para ajudar no desafio. Por causa disso, várias cidades brasileiras cancelaram o #Carnaval este ano, só nos estados de São Paulo e Minas Gerais 19 ficaram sem a tradicional festa.

A 170 km de São Paulo, a cidade de Araras está em rodízio de água desde outubro e cancelou o carnaval do final do mês de janeiro. A propósito, Araras já estava com todas as alegorias prontas quando foi anunciado o cancelamento das festividades carnavalescas.

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José Luiz Pepe Carrascosa, presidente da agremiação em Araras, não acredita que o Carnaval prejudicaria o fornecimento de água numa cidade que já tem rodízio.

Fantasias prontas, festa cancelada

"Estávamos com todas as fantasias prontas desde o ano passado, foi uma covardia", diz Carrascosa. As cidades do centro-oeste mineiro, que são famosas pelas festas de rua, também suspenderam o Carnaval por causa da estiagem. Wellington Daniel Cruz, secretário de Cultura, Esportes e Turismo de Itapecerica, afirma que, segundo a Copasa, a situação ficaria ainda pior se a cidade recebesse uma quantidade grande de turistas. "O prejuízo econômico seria menor do que as consequências hídricas", avalia.

Mas nem todo mundo ficou sem brincar nesse Carnaval, principalmente nos blocos. Na cidade mineira de Oliveira, por exemplo, a prefeitura suspendeu a folia este ano, mas a decisão ficou somente no papel.

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O bloco "Pelo amor de Deus", um dos mais tradicionais da cidade, foi para as ruas se divertir contrariando o cancelamento, mas sem desperdiçar água.

Tradição é mantida em Nazaré Paulista

Na cidade de Nazaré Paulista, interior de São Paulo, os foliões do "Bloco dos Moiado" têm a tradição de brincar o Carnaval encharcado de água, desde que o bloco foi fundado, em 2010. Com a falta d'água este ano o Carnaval seria seco ou molhado? "É uma tradição na cidade, não podemos quebrar por causa da crise hídrica", afirmou Gabriel Ramos, fundador do bloco. O jeito foi armazenar água. Nos últimos quatro meses juntaram água da chuva nas duas piscinas do ginásio de esportes e a prefeitura pediu ajuda dos moradores.

O sistema improvisado de armazenamento só foi possível por causa da participação da população e a água de chuva coletada foi tratada para garantir a brincadeira nos dias de folia. "Dessa maneira não estamos prejudicando ninguém. Pelo contrário, estamos mantendo uma tradição de maneira sustentável", afirma o prefeito de Nazaré Paulista, Joaquim da Cruz Júnior. Com mais de 40 mil litros de água da chuva, neste domingo dia 15, o bloco dos poupadores garantiu o carnaval dos "Moiados de Nazaré Paulista".