Filmes biográficos em forma de documentários sempre renderam boa bilheteria, ainda mais sendo póstumos, o que ajuda a amenizar a saudade daqueles que não verão mais o biografado em vida. Melhor ainda se for um artista da importância de Cássia Eller.

Seguindo a linha de "Tim Maia" sobre o pesado e polêmico cantor, baseado no livro de Nélson Motta "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", "Cássia Eller" é um documentário como não se fazia há muito tempo, tão personalizado, descobrindo as facetas diferentes da personagem principal. Não endeusa a artista e nem foca exageradamente seu lado frágil. Não que Cássia fosse ainda "aquela garotinha de meias três quartos", mas os fãs às vezes esquecem que o artista é humano como ele próprio: sente raiva, fome, tem sangue vermelho e pode até morrer.

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Para o fã, o talento faz com que um ser humano comum se torne imortal. Mas, vendo por outro ângulo, isso acaba sendo uma verdade poética.

Quatro anos de produção foram suficientes para o diretor Paulo Henrique Fontenelle mostrar um lado bem humano, e por que não dizer, meio moleque - no bom sentido - da cantora. Momentos emocionantes, como na participação do ex-Titãs e amicíssimo Nando Reis, que compôs "O Segundo Sol" para Cássia interpretar maravilhosamente e revelou um pouco mais da intimidade dos dois.

A cantora Zélia Duncan também participa com orgulho de ter sido uma grande amiga desde os jovens tempos de ambas as cantoras em Brasília.

Todo documentário tem depoimentos, mas nem todos os depoimentos de um documentário prendem sua atenção. Não é o caso. Sua última companheira, Maria Eugênia Vieira Martins, demonstra que conseguiu digerir bem a ausência de mais de 10 anos sem Cássia Eller, no entanto cada palavra de seu depoimento tem um ponto de saudade.

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Quando Cássia nos deixou, deixou também o desejo de que Maria Eugênia mantivesse a guarda de seu filho Francisco, chamado carinhosamente pelas duas de "Chicão", mas houve ainda desavenças com o avô, que queria ficar com o menino, hoje com 21 anos. O final feliz e esperado foi que a justiça brasileira surpreendentemente decidiu que Maria Eugênia ficasse com a guarda de Chicão, que ficara órfão de pai e mãe aos 8 anos de idade. Esse episódio também passa no filme, tratando com respeito e normalidade uma relação firme e declarada de um casal homossexual, o que se espera das pessoas civilizadas.

Pisar num palco, para Cássia, era como se Clark Kent tirasse o terno e o óculos e usasse a roupa de baixo, a do Superman, a ponto de deixar impressionado Dave Grohl, ex-baterista do finado Nirvana e atualmente vocalista do Foo Fighters, ao ver Cássia Eller interpretar "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana, no Rock in Rio de 2001. Mas, longe dos holofotes, era tímida e reservada, dando raras entrevistas.

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Mas, como se trata de uma artista musical, o documentário é entrelaçado com músicas e vídeos da protagonista. No entanto, apesar de seguir um padrão - mas que padrão! - convencional dos documentários, é cativante do início ao fim e nos faz sentir um tipo de gostosas saudades de Cássia Eller. #Cinema #Música #Rio Cultura