O cenário é um barraco sob uma ponte, imagem nada inusitada na capital paulista e que vai se tornando cada dia mais rotineira, e triste, diante da crise econômica que atravessa o Brasil e dos desmandos de nossos governantes envolvidos em desvios de bilhões de reais, dinheiro dos contribuintes, denunciados quase que diariamente em esquemas de corrupção.

O protagonista, morador da precária construção, é conhecido apenas pelo seu primeiro nome: Mário. O coadjuvante, Victor Morelli Acquafreda, de 37 anos, é funcionário de uma multinacional americana do ramo de telecomunicações.

Morelli conheceu Mário depois de passar diversas vezes pela "construção", totalmente decorada com bandeiras e camisas do #Palmeiras penduradas do lado de fora do barraco.

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Comovido, o palmeirense prometeu a si mesmo que, no dia em que seu filho não pudesse acompanhá-lo para assistir a um jogo do Verdão no Allianz Parque, convidaria o morador de rua para seguir com ele ao estádio.

E foi assim mesmo; Victor Acquafreda disse que, em uma das tantas vezes que trafegou pelo local, resolveu parar seu carro e procurar pelo dono do barraco. Assim que conheceu Mário, perguntou se o morador de rua havia ido ao estádio alguma vez e como a resposta foi negativa, fez o convite e combinou de levá-lo ao Allianz Parque no último sábado (14) para, juntos, assistirem à estreia do Palmeiras no #Campeonato Brasileiro em partida contra o Clube Atlético Paranaense.

Nascido em Ilhéus, na Bahia (cidade distante cerca de 320 quilômetros da capital, Salvador), Mário seguiu à Arena Allianz vestindo uma camisa comemorativa ao título da conquista da Copa Libertadores da América, de 1999, e assistiu à goleada do Verdão sobre o adversário paranaense ao lado de Vinícius Gomes Ferrazzini, amigo de Victor.

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Eles ficaram no setor gol norte e o ex-trabalhador da construção civil vibrou como criança com os dois gols de Gabriel Jesus, Róger Guedes e Thiago Martins.

Acquafreda contou que Mário "ficou maravilhado com o estádio e dizia a todo momento que realizou um sonho". Ainda segundo o torcedor que realizou o sonho do morador de rua, cada vez que o Palmeiras marcava um gol ele gritava e abraçava os novos amigos para comemorar a felicidade que sentia.

Mário revelou sua história a Victor: vindo de Ilhéus, está na capital paulista há oito anos e trabalhava na construção civil. Com a dificuldade de vagas no setor, partiu para uma empresa de limpeza e decidiu morar sob a ponte para ficar próximo ao trabalho. Com a falência do empregador, acabou demitido e agora aguarda a ajuda do programa social Bolsa Aluguel, da Prefeitura de São Paulo. Segundo o morador de rua, o benefício deve sair entre 60 e 90 dias e quando recebê-lo, pretende deixar a moradia situada em baixo de uma ponte da Zona Leste da capital. #Futebol