A ansiedade é um fenômeno absolutamente normal e inerente ao ser humano. Trata-se de um sentimento desconfortável e que pode produzir, conforme sua intensidade, desde uma leve insegurança até mesmo uma total incapacidade de agir ou pensar com clareza em determinadas situações. Isso devido a uma simples razão: a ansiedade é como o medo (em verdade, a ansiedade é uma emoção derivada do medo), um sentimento que pode conduzir a uma paralisação total no indivíduo por ela dominado.

Medo versus ansiedade

Para melhor distinguir ambos os sentimentos, nada melhor que uma comparação extrema: imagine uma pessoa frente a um animal selvagem, uma onça, por exemplo.

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Tal pessoa provavelmente estará totalmente tomada pelo medo, e esse sentimento tem uma razão de ser. Em sua mente, a situação é interpretada como um perigo vital, e, assim, canaliza todas as energias físicas e emocionais para a reação à fera (no caso, enfrentar a onça ou correr). Agora, imagine outra pessoa experimentando uma sensação muitíssimo parecida, porém, numa situação totalmente diversa: diante de uma iminente entrevista para emprego. Nesse caso, estamos falando da ansiedade. A pessoa antecipa uma péssima performance em tal evento, imaginando a si mesma como incapaz ou que agirá de forma ridícula. O importante aqui é perceber que a mente, de forma inconsciente, também processa essa última situação como um risco à vida, não distinguindo entre o perigo real (como no caso da onça) e o meramente imaginário (como no caso da entrevista).

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A ansiedade como um problema

Se, por um lado, a ansiedade é, de fato, uma experiência desagradável, por outro, as pessoas, geralmente, aprendem a lidar com ela espontaneamente, à medida em que vivenciam as mais variadas situações no decorrer de suas vidas. A ansiedade se torna um problema quando o indivíduo começa a desenvolver uma espécie de incapacidade de reação, incorporando uma atitude de isolamento ou de fuga frente à mera perspectiva de enfrentar uma situação potencialmente desencadeadora de sua ansiedade. Aqui, o dito sentimento torna-se um transtorno (no linguajar técnico: transtorno de ansiedade generalizada), e pode, inclusive, comprometer o desenvolvimento pessoal em várias áreas, como em sua profissão, sociabilidade, vida amorosa etc., condição essa em que algum tipo de tratamento psicoterápico é fortemente recomendável. 

Ansiedade e cognição

Como visto, o gatilho para a ansiedade são pensamentos, convicções, crenças etc., com algum grau de pessimismo, uma espécie de antecipação de infortúnios, geralmente de caráter meramente imaginário.

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Dado esse conteúdo cognitivo, um tratamento que tem gerado efeitos muito satisfatórios é a chamada Terapia Cognitiva (atualmente mais conhecida como TCC - Terapia Cognitivo-Comportamental), por trabalhar exatamente esses pensamentos desencadeadores da ansiedade, habilitando o indivíduo a manipulá-los por si só, de modo a contornar esse desastroso e generalizado estado emocional de que se tornou vítima.

Percebe-se, assim, que a ansiedade, em intensidades mais brandas, pode ser trabalhada com simples exercícios de relaxamento e de reflexão. Porém, quando ela domina a pessoa, a ponto de se tornar um transtorno - verdadeiro obstáculo no caminho de seus projetos de vida -, faz-se então necessário buscar ajuda profissional. #Comportamento #Saúde