Ambiguidades e subtextos são partes indissociáveis das histórias que povoam o imaginário popular. Confira cinco assuntos que estão abaixo da superfície na versão live action de “A Bela e a Fera”, novo #Filme da Disney.

5. Feminismo

O filme cria associações entre Bela e ideologias feministas. Fica claro que os habitantes da vila em que Bela mora acreditam que existem funções preestabelecidas às quais as mulheres devem servir, como lavar roupas e cozinhar. Bela é apaixonada por livros e anseia poder conhecer o mundo fora da vila, chegando a desenvolver uma versão visionária da máquina de lavar, para poder se dedicar à leitura.

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Com detalhes como esse, a obrigatória cena em que revela sua insatisfação com a “vida provinciana” ganha um sentido extra, já que inclui sua discordância em relação à visão daquela sociedade em relação ao papel da mulher. Para ela, mulheres devem ser inteligentes e aventureiras.

4. Homossexualidade

Essa entra na categoria “piscou, perdeu”, apesar de ter causado polêmica, o que ajudou muitos espectadores a perceberem. No novo filme, LeFou, personagem de Josh Gad, não é apenas um capanga submisso ao babaca Gaston: é apaixonado por ele. O filme explora vários lados dessa questão, como os ciúmes que LeFou sente das donzelas que cobiçam Gaston, ou sua necessidade de manter os sentimentos em segredo para escapar de preconceitos. O desfecho dado à essa subtrama, além de inesperado, inclui uma ótima piada visual com a expressão “sair do armário”.

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Vale a pena rever a animação de 1991 e se perguntar se tudo isso não estava implícito naquela versão.

3. Síndrome de Estocolmo

Impossível desassociar de qualquer versão da história: Bela é uma prisioneira que se paixona por seu carcereiro. A atriz Emma Watson garante que sua personagem não tem nenhuma característica da síndrome, já que desafia e discorda da Fera em diversos momentos. Há também o fato de que ela só concorda com as condições da Fera para poder salvar seu pai. Metaforicamente ou não, é difícil não enxergar uma relação abusiva nessa história, que ao menos tem um final feliz nesse sentido, transmitindo a ideia de que o ser mais bruto pode mudar através do amor.

2. Status quo

Aqui está a principal fonte de ambiguidades e subtextos do filme. Os moradores da vila rejeitam e atacam qualquer pessoa ou ideia que contrarie o status quo, o que os leva a quebrar a máquina de lavar construída por Bela, ridicularizá-la por gostar de ler e tratar o pai dela como louco por conta de suas invenções inovadoras.

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O contraponto seriam os empregados do castelo, transformados em objetos animados pela mesma maldição que tornou o príncipe em Fera. Cultos e respeitosos, eles atiram livros nos habitantes da vila quando estes invadem o castelo, uma simbólica defesa do combate à ignorância através do conhecimento e da cultura. No entanto, quando a maldição é quebrada, voltam a ser o que sempre foram e não parecem preocupados com isso. Ou seja, também protegem um status quo, pois acreditam que sua função é passar a vida a servir o dono do castelo.

1. Conformismo

Bela não escapa de um destino parecido com o dos empregados do castelo. Após o fim da maldição, não há qualquer indício de que ela tenha ido “conhecer o mundo”, como anciava no início. Casa-se com a Fera, que volta a ser um príncipe (rico e belo, complicando a mensagem sobre beleza interior) e vive “feliz para sempre”, num castelo luxuoso onde é constantemente servida por um séquito de empregados bem treinados. Antiga essa ideia de felicidade, não? Ah, não esqueçamos: no castelo há uma gigantesca biblioteca, ótima para que o príncipe continue a manter Bela aprisionada, mas acreditando ser livre.

Se há algo que pretendo provar é o simples fato de que o filme é complexo e estimulante. Não se engane: “A Bela e a Fera” existe em várias dimensões e é fascinante em cada uma delas. ABelaeaFera #Entretenimento #Cinema