A cidade de #itaparica, situada ao norte da Iha de Itaparica, a 30 km de Salvador, já foi um dos principais pontos turísticos importantes da #Bahia. Hoje, a localidade sofre com a falta de turistas por conta da precarização das estradas, do ferry boat, da saúde pública e segurança. Com belas paisagens naturais, custos mais acessíveis e uma população local bastante receptiva, a cidade de Itaparica procura voltar a ser uma das principais escolha dos visitantes.

Chegada à Ilha

Para chegar a Ilha de Itaparica existem duas opções: por meio do ferry boat (com passagem custando R$4,80 por pessoa, durante a semana e R$6,40 o ticket individual para os sábados e domingos), ou através da rodovia BA-532.

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Neste artigo, vamos apresentar a opção do ferry boat, que costuma ser bastante criticado pela população.

Uma das principais reclamações do público que utiliza o ferry boat é sobre a falta de organização do sistema e a situação precária das embarcações. Segundo a diarista Ana Lúcia Bastos, pegar o ferry costuma ser a única opção mais em conta financeiramente, e também um dos momentos mais estressantes da viagem. “Sempre que preciso utilizar o ferry, já penso no estresse da hora da compra da passagem. E a depender do modelo de embarcação que vou pegar, ainda fico no sol e sem ter onde sentar”, reclama.

Na chegada à Ilha, outra situação estressante são poucas as opções de transporte para ir à praia que deseja. A alternativa é o uso de táxis que não cobram os valores dados no taxímetro, ou vans em péssimo estado de conservação.

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Os preços dos táxis para a cidade de Itaparica variam de R$20 a R$50, e as vans custam em média R$10.

Há a opção de contratar guias turísticos que levam até os principais pontos da praia desejada por R$50, contando a história de cada lugar e indicando pousadas a custo baixo. Um desses guias é Cesar Barbosa, que trabalha como motorista e guia turístico e mora há 40 anos na Ilha. De acordo com ele, o #Turismo em Itaparica decaiu por conta da falta de manutenção das prefeituras e da falta de opções de transportes.

O guia vê a construção da ponte como uma alternativa para melhorar a situação da cidade. “Se a ponte for construída, eu acho que o turismo aqui melhora, porque vai ter um pedágio com um preço mais acessível, sem demora pra fila do ferry boat. Um turista pode chegar a ficar por volta de seis, sete horas na fila. Com a ponte, não. Seriam 15 ou 20 minutos de travessia, porque são 12 ou 15 km para percorrer. Muitos defendem que a ponte pode trazer mais crescimento, mais segurança, e vai ter empresário querendo investir em hotéis.

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Com a ponte a Ilha iria melhorar”, defende César.

História

A ilha de Itaparica é formada por dois municípios: a cidade Itaparica, que correspondente a 20% do território, e a cidade de Vera Cruz, que abrange os outros 80%. Itaparica é uma cidade histórica habitada pelos índios tupinaés e tupinambás e onde aconteceram as invasões holandesa e portuguesa. De acordo com César, os tupinambás eram os índios canibais e guerreiros que expulsaram os tupinaés, junto com o cacique Moruxirimbá, que era o cacique de Itaparica. Os índios tupinambás saíram de Vera Cruz até o Porto da Barra, em Salvador, utilizando canoas. Ao chegarem no Rio Vermelho, os índios foram pescar e ouviram um barulho incomum vindo das pedras. Era o português Diogo Alves, que, ao avistar os índios tupinambás, pegou duas pedras e bateu uma na outra provocando faíscas de fogo. Com isso os índios o nomearam de Caramuru, que significa “homem do fogo, da treva e do mal”, o homem trovão. Os índios levaram o português para a tribo e o apresentaram para o cacique Itaparica. Esse foi o primeiro contato da tribo com um homem branco. Anos depois os holandeses invadiram a Ilha, expulsaram todos os índios e construíram o Forte de São Lourenço, que se tornou a fortaleza e hoje é um dos principais pontos turísticos.

Posteriormente os portugueses tentaram invadir a cidade de Cachoeira, mas encontraram resistência entre a população. Em seguida, tentaram invadir Itaparica para fazer uma base na ilha e tomar Salvador. Porém, o povo itaparicano tinha fortes lideranças como Barros Galvão, Tenente João das Botas, Maria Felipa, Gonçalves de Abreu e João Batista. Essas pessoas comandaram a resistência e expulsaram os portugueses em 7 de janeiro de 1823. Atualmente, a cidade de Itaparica comemora essa data e o símbolo da independência é um caboclo, representando os itaparicanos, montado em um dragão que retrata os portugueses. “No dia da festa esse carro é todo elaborado, todo bonito. Os homens se vestem em homenagem aos índios, tem a dança dos índios guaranis e tupinambás e puxam esse carro por toda a cidade com faixa de fogo comemorando a independência. É uma festa muito bonita nos dias 5, 6 e 7 de janeiro”, relata César.

Turismo

Os principais pontos turísticos da cidade são o Forte São Lourenço e a Fonte da Bica. As praias de Itaparica são um cenário a parte que encanta o turista. O paulista Emerson Moreira da Costa, administrador, em visita pela primeira vez à Bahia, disse que ficou apaixonado pelo local. “As águas daqui são de um verde diferente. A praia é limpa, vazia, perfeita para quem quer tranquilidade com a família”, comenta o administrador.

O empreiteiro de obras soteropolitano Marcos Vieira e a esposa Joselina Oliveira, estudante de pedagogia, são frequentadores de Itaparica. Eles comentam que encontraram a praia vazia, mas que gostaram da tranquilidade do local. “Não tem quase ninguém na praia, os pontos turísticos são bem tranquilos. Acabou sendo uma surpresa nesse sentido de vir em um dia comum e eu particularmente acredito que a gente está tendo oportunidade de aproveitar mais essa tranquilidade, essa calma e naquele agito todo a gente acaba não aproveitando muita coisa”, relata Joselina.

O proprietário do restaurante Pandelis e morador da cidade há 40 anos, José Magno França Santos, culpa a atual gestão pela queda do turismo local. “É muito importante para o turismo na cidade que ela tenha uma atração para que as pessoas venham e os eventos no município atraiam pessoas de fora. Quando você não tem um evento, as pessoas não vêm”. Ele também reclama da falta de limpeza e da escassez de festas no São João, Natal e Ano Novo. “Quando vem um réveillon com atração forte, as pessoas vêm para conhecer e já passa a ter um segmento durante o período de qualquer festa, qualquer feriado”, explica José Magno. Porém, ele tem boas expectativas com a nova gestão trazendo a Professora Marylda como atual prefeita. “A tendência agora, tenho certeza absoluta, que é crescer. Porque foi eleita uma pessoa que conhece sobre o turismo, conhece sobre educação, já trabalhou naquela gestão que era bem divulgado o município, conhece tudo que pode ser melhorado e a tendência agora, a partir do dia dois de janeiro, é Itaparica voltar a ser conhecida na parte do turismo brasileiro”, acredita.

Os casarões coloniais também são grandes atrativos da cidade. Construídos pelos portugueses no século XVIII, foram feitos em pedra, cal e óleo de baleia, substituindo o cimento. A Igreja de São Lourenço, construída em 1610, e a Igreja do Santíssimo Sacramento, feita em 1618, também fazem parte dos pontos turísticos.

Forte de São Lourenço

O forte foi construído pelos holandeses em 1647 e era utilizado como forma de resistência contra as tentativas de invasões portuguesas. Em 1974, o Ministério da Marinha realizou obras no forte e hoje ele é um dos pontos turísticos importantes do local.

A fonte da Bica

No Brasil, é a única fonte de água mineral que está localizada a 50 metros da água salgada. ”É dado esse nome, fonte da bica, porque era tudo cheio de pedra e bambus e a água corria pelas pedras e pelos bambuzais. Disso se originou fonte da bica. E também aqui se concentrava os índios tupinambás, eles ficavam todos nessa área”, explica o guia César Barbosa.

Em uma das paredes está pintada a história da fonte escrita por Balsodório, pai do escritor João Ubaldo Ribeiro. De acordo com a lenda, a água da fonte rejuvenesce quem a bebe. “Tem três tipos de água que nós bebemos: amor, saúde e dinheiro, mas algumas torneiras os delinquentes arrancam para poder vender e consumir drogas. Aí só tem uma torneira”, lamenta César.

Os hotéis apresentam preços acessíveis em baixa temporada com a estadia custando entre R$100 a R$200, que vão desde quartos com ventilador até acomodações climatizadas de frente para o mar, incluindo café da manhã e wifi.

Saúde e Segurança

A falta de estrutura para a saúde e segurança são os principais motivos que afastaram os turistas de Itaparica. De acordo com César, a cidade tem o hospital HGI que fica a 3km de distância, porém em estado precário, faltando médicos e equipamentos. As opções mais viáveis para casos graves, são o hospital de Santo Antônio de Jesus, a 100km, ou os de Salvador, a 1h30m de distância. “Muitas pessoas chegam lá mortas, porque demora o salvamento. Se aqui tivesse um bom hospital muitas pessoas poderiam ser salvas. O hospital daqui deixa a desejar, muito. Por isso que muitas pessoas não moram na ilha, já que aqui não tem um bom hospital”, queixa-se o guia.

A segurança da cidade deixa a desejar, principalmente à noite. Apesar de o Estado ter investido em duas caminhonetes de polícia e blitz nas pistas, os assaltos noturnos e homicídios continuam acontecendo com frequência. O ex morador da cidade, Alan Anjos, aconselhou a reportagem a não sair durante a noite e relatou episódios vividos por ele. “Já teve uma vez que fui para o bar com os amigos e a dona falou para que não sentássemos em uma mesa depois do poste, na curva da praça, por causa de assalto. E o pior é que são assaltantes conhecidos pela população e ninguém faz nada”, lamenta Alan.

O casal Marcos e Joselina também se queixou do policialmente local. “Hoje não vi nenhum policial, mas em época de festa a gente vê alguns, mas, sinceramente, em todo tempo que estamos aqui ainda não vimos uma viatura policial”, disse Marcos.

A ilha apresenta belas paisagens e moradores receptivos com os turistas. Os restaurantes têm boas opções no cardápio e preços acessíveis, além da culinária local – como a mariscada, a moqueca de peixe e o sarapatel – serem um atrativo à parte. Apesar da falta de segurança, a cidade de Itaparica continua sendo uma boa opção para quem quer curtir o dia na praia com a família.