Mais capítulos aparecem ao longo da novela das rebeliões no norte do Brasil. Depois de mais de uma semana marcada por decapitações, corações arrancados, presos incendiados e áudios circulando em aplicativos de mensagem instantânea nos celulares, parece que agora teremos, por fim, um enredo esperado pela população, nem que seja para resolver apenas uma pequena porcentagem do problema geral.

A Força Nacional

Depois de tantos funks e tantas mortes, finalmente o Ministro da Defesa enviará homens da Força Nacional para os Estados do #Amazonas e de Roraima. Estes soldados serão divididos em 2 grupos de 100 homens para cada estado citado, mas não atuarão nas penitenciárias, apenas farão o trabalho de patrulhamento, busca e detenção de foragidos, bem como buscarão manter a paz nas cidades afetadas pelas rebeliões.

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Isso vai contra os pedidos feitos pela governadora de Roraima, Suely Campos, que solicitou a ajuda para que atuassem dentro das penitenciárias, como agentes carcerários, tomando conta da comunidade carcerária e evitando novas rebeliões no local.

Já o governador do Amazonas, #José Melo, solicitou do ministério, além da Força Nacional, um helicóptero para procurar os detentos foragidos em meio as matas que arrodeiam os complexos penitenciários de onde ocorreram as fugas no começo do ano.

O governador José Melo

Enquanto o estado está preocupado com a segurança da população, a Polícia Federal libera escutas telefônicas e gravações feitas no ano de 2014, que provam, segundo os investigadores, que o governador do estado do Amazonas, José Melo, tem (ou tinha) forte ligação com a facção criminosa Família do Norte.

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O caso é que essas gravações têm um teor um tanto quanto revelador de como nossa população está à deriva e nossa segurança é frágil quando falamos do poder público. Nas gravações, é possível ouvir uma negociação entre um representante do estado e um dos líderes da #FDN para o pleito daquele ano. Enquanto um garante a paz dentro dos presídios, o outro garante o voto das famílias dos detentos para o então candidato a governador que veio a se eleger.

A ligação torna-se mais tênue quando nomes começam a ser citados, de maneira oficial, pela inteligência da Policia Federal.

Família do Norte no comando

Mesmo com a resposta do governo do estado rebatendo todas as acusações, líderes da FDN ainda comemoram suas conquistas expressando em uma das gravações a seguinte frase: "Nossa ‘Facção’ é ‘tão’ Franca... Que ‘nós’ elegemos foi um ‘govenador’... ‘Só isso”.

Levando em conta o número de votos necessários para eleger um governador em um estado do tamanho do Amazonas, e levando em consideração a população encarcerada em relação à população livre, eleger um governador com a modéstia que foi expressada mostra que um pequeno movimento pode gerar um grande furacão, quase como em um efeito borboleta.

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Ao mesmo tempo, ao dizer "só isso", podemos perceber que o poder deste grupo está muito além de nossos pensamentos, e bem além do que podemos imaginar, já que podemos considerar que a ordem de um homem pode mover o pensamento de 50% de uma população.