Em março de 2012, a revista The New Republic (TNR) foi adquirida por Chris Hughes, co-fundador do Facebook e ex-colega de quarto de Mark Zuckerberg. Em dezembro de 2014, com cem anos de existência, a edição que seria publicada no dia 15 é cancelada, após demissão em massa de 55 jornalistas, na primeira semana de dezembro. A situação é fruto da revolta ocorrida pelas modificações pretendidas por Hughes para transformar a revista em uma empresa verticalmente integrada de mídia digital.

Com o advento da internet, muitas empresas de #Comunicação tiveram que rever o seu modelo de negócio e, em alguns casos foram vendidas para empresários da área de tecnologia.

Publicidade
Publicidade

Podemos citar como exemplo, a revista The New Republic, adquirida por Chris Hughes e o Jornal The Washington Post, adquirido pelo dono da Amazon. Para a revista centenária, a mudança em seu modelo provocou um grande terremoto na empresa. Após demissão do editor da revista, Franklin Foer, e do editor literário, Leon Wieseltier, 20 jornalistas colaboradores da revista solicitaram suspensão da publicação de suas reportagens e também pediram demissão no dia seguinte e, ao longo da semana, 55 jornalistas abandonaram a empresa. Com este cenário, a próxima edição está prevista apenas para fevereiro do próximo ano. A sede da empresa será Nova York e será reduzida a quantidade de edições impressas para 10 por ano (atualmente são 24). O foco passará a ser a publicação digital.

A questão de muitos jornalistas é relacionada à adaptabilidade, pois será que um veículo com uma história impressa de tanto tempo, com um legado centenário, fincada em seus valores, conseguirá uma ruptura desta grandeza, se adaptando facilmente ao cenário atual, da revolução tecnológica transformadora dos meios de comunicação? A tendência é que esses veículos de comunicação tradicionais revejam seus modelos, pois até o momento todos foram abalados pelo crescimento da internet e seus anúncios publicitários.

Publicidade

O difícil é mensurar o impacto do choque cultural entre o jornalismo convencional e o jornalismo em mídia digital. No entanto, não é assumido pelos desertores da The New Republic a resistência no fato da ocorrência das mudanças em conseqüência da tecnologia, mas sim da linha jornalística que se deseja seguir, uma vez que o legado é detentor de uma voz liberal e rigor intelectual. Será que na mídia digital terá a mesma qualidade do jornalismo tradicional?

Hughes, um dos jovens mais ricos dos EUA, após a compra da New Republic, contratou Guy Vidra, ex-diretor do Yahoo! News, como diretor-presidente, mas Vidra não recebeu o apoio da redação. De acordo com uma entrevista no The Washington Post, Hughes diz que deseja criar "um negócio sustentável" e experimentação e mudança são partes fundamentais do processo. Ele não comprou a publicação para ser dono de uma pequena revista impressa, cuja influência, a longo prazo, e de sobrevivência estavam em risco. "Eu vim para proteger o futuro da The New Republic", diz Hughes.

Publicidade



Provavelmente será necessário esperar a próxima publicação, em 2015 para entender qual o modelo, de fato, que o rico e jovem empresário deseja para a The New Republic e se conseguirá um time e conteúdo de peso, como o que teve por cem anos a famosa publicação.