Em 2011, depois de décadas de guerra civil, o Sudão do Sul tornou-se independente da República do Sudão. No entanto, ao norte da fronteira, o conflito continua, bombardeios aéreos continuam atacando. Como resultado desta guerra vem junto a fome.

No ano passado, foi documentado como esta guerra ainda atinge a região dos Montes Nuba - uma região bonita onde o povo supre suas necessidades com a subsistência agrária e pastagens.

Para chegar a Nuba, é necessário passar por Yida, um campo de refugiados na fronteira com o Sudão do Sul. No acampamento, a equipe deparou com três meninas, todas com 11 anos: Madina, Howa e Aziza.

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As meninas tinham fugido da guerra com as suas famílias, junto com mais 70.000 outros refugiados sudaneses. As crianças têm encontrado maneiras criativas para se divertir. Quando a equipe abordou as meninas, elas estavam fazendo bonecas ao ar livre, cheias de figuras complexas que tinham sido esculpidas a partir de argila. Elas encheram as casas com camas, panelas e fogões, todos os restos de suas vidas anteriores representadas naquelas figuras.

A equipe retornou no dia seguinte e pediu-lhes para fazer mais algumas figuras de barro, para me mostrar o que elas tinham experimentado em sua aldeia, nas montanhas de Nuba. Elas criaram mais de cem novas figuras, incluindo tanques, helicópteros, rebeldes, metralhadoras e lança-granadas. As meninas relataram histórias que testemunharam de seus familiares sendo mortos por soldados e como elas se esconderam nas cavernas, enquanto aviões bombardearam seu vilarejo.

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Elas falaram ainda sobre caminhar durante dias para escapar da guerra, e como elas sonhavam em um dia voltar para casa.

Então a equipe viajou através das fronteiras, nas montanhas de Nuba, para tentar documentar o mundo que essas meninas tinham deixado para trás. Durante quatro meses foram testemunhados a fome, o combate, os aviões lançando bombas e crianças se escondendo em cavernas. Eu vi duas crianças morrerem de fome.

Por enquanto, Madina e seus amigos provavelmente irão permanecer no acampamento onde imaginam estarem seguros, entre os 250 mil refugiados que estão atualmente no Sudão do Sul

A equipe ficou perturbada pelas imagens que viu e com o fato das brincadeiras dessas crianças expressarem sua própria realidade, ali representadas e moldadas em argila: uma guerra que continua a devastar vidas e que priva as crianças de sua infância. "Espero que para elas o seu retorno para casa seja mais do que um sonho", afirmou um dos componentes dessa equipe. #História