O número de nepaleses que já morreram nas obras da Copa do Mundo de 2022 impressionam. De janeiro a meados de novembro, as mortes já passaram de cento e cinquenta. E esse número pode ser bem grande, se somadas às mortes de operários vindos do Sri Lanka, Índia e Bangladesh. 

O governo do Qatar, onde será realizada a Copa de 2022, havia prometido melhorar as condições de trabalho dos operários, após uma matéria publicada no ano passado pelo The Guardian, mostrando a precária situação de grande parte dos trabalhadores imigrantes. Como por exemplo, as longas jornadas de trabalho sob temperaturas que às vezes ultrapassam os 50ºC.

Depois da publicação, o Qatar afirmou que reformaria o sistema 'kafala', que mantém os trabalhadores vinculados ao seu empregador; que melhoraria as leis que exigem empreiteiros, para proporcionar as condições de vida humanas; e proibiria a apreensão de passaportes pelos empregadores.

Mas os sistema proposto pelo país para substituir o 'kafala', não seria uma grande mudança, pois ainda manteria os trabalhadores vinculados ao seu empregador durante o tempo de duração do contrato, podendo chegar até a cinco anos.

O escritório de advocacia DLA Piper, encarregado pelo país de conduzir as investigações,  publicou um relatório em maio com as implementações que deveriam ser providenciadas, mas o governo não as cumpriu.

Segundo o Conselho Nepalês, responsável pelos imigrantes empregados no exterior, de janeiro a meados de novembro do ano corrente, cento e cinquenta e sete nepaleses morreram trabalhando no Qatar. Sessenta e sete deles, de inexplicada morte súbita cardíaca; oito, de infarto; e trinta e quatro, em acidentes de trabalho. Autoridades nepalesas afirmaram que esse número pode ter chegado a 188. No ano passado, foram cento e sessenta e oito mortes no mesmo período.

O DLA Piper divulgou o número de operários do Nepal, Índia e Bangladesh, que morreram enquanto trabalhavam e viviam no emirado do Golfo Pérsico, entre 2012 e 2013, foram novecentos e sessenta e quatro.

Nas obras da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, nove operários morreram. Todos em acidente de trabalho em estádios.