De acordo com relatórios oficiais, os laboratórios de alta segurança, que lidam diariamente com os vírus mais perigosos do mundo, têm relatado mais de 100 acidentes (ou quase acidentes) envolvendo falhas nos laboratórios nos últimos cinco anos.

Atitudes indevidas chegaram a fazer com que a bactéria causadora da doença Antraz fosse levada de uma instalação do governo para um laboratório que não havia sido previamente avisado. O erro relacionado ao transporte da Bacillus antracis, por todo o Reino Unido, expôs outros cientistas à bactéria.

Outro erro aconteceu em um grande laboratório animal e causou a falha de um sistema de tratamento de ar, que ajudava a conter a febre aftosa.

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Outro caso ocorreu em um laboratório de segurança máxima do Ministério da Defesa. Pesquisadores estavam em perigo e não sabiam. Gotículas de água foram encontradas em roupas de isolamento, que eram usadas pelos pesquisadores para tratar animais infectados pelo vírus Ebola.

Relatórios obtidos do Health and Security Executive (HSE), pelo jornal The Guardian, revelam que mais de setenta incidentes nos laboratórios do governo, de universidades e hospitais foram investigados devido à seriedade dos fatos ocorridos. Alguns desses laboratórios receberam avisos ordenando que se mantivessem fechados até que as melhorias fossem realizadas. Os casos mais sérios terminaram em ação legal.

O professor Richard Ebright, especialista em biossegurança na Universidade de Rutgers, Nova Jersey, analisou os relatórios obtidos pelo jornal e afirmou que os dados revelavam falhas nos procedimentos, na infra-estrutura, no treinamento e segurança em alguns laboratórios britânicos.

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Muitos dos acidentes foram quase inevitáveis erros humanos, outros ocorreram devido à idade dos equipamentos e das roupas de segurança. Os casos mais sérios surgiram de uma cadeia de erros que aconteceram em sequência e foram frequentemente descobertos somente muito tarde.

Os relatórios reunidos pelo HSE descrevem pelo menos cento e dezesseis incidentes e setenta e cinco inquéritos concluídos, desde abril de 2010, em laboratórios onde os mais perigosos organismos do mundo são manipulados.