A tragédia ocorreu no dia 26 de dezembro de 2004. O tsunami violento atingiu Meulaboh, na província de Aceh, a Meca da Indonésia. A destruição brutal causou a morte de milhares de pessoas (estimadas 230 mil) e animais, eliminação de casas e edificações, e também de árvores e plantações. Foram irresistíveis ondas gigantescas de 20 metros de altura. Um maremoto de magnitude 9,3 pontos na escala Richter. Algo descomunal, assombroso. 14 países tiveram pessoas mortas, sendo os mais afetados Indonésia, Sri Lanka, Índia e Tailândia. 38 nacionalidades tiveram membros mortos na tragédia, europeus na maioria. E um milhão e setecentos mil ficaram desabrigados.

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Era o caos completo. Vista hoje, dez anos depois da tragédia, a região apresenta uma realidade totalmente diferente. Houve, na cidade, a reconstrução de 140 mil casas, estradas, postos de saúde e escolas. As forças separatistas e do governo puseram fim ao conflito armado de 30 anos, e criaram o Museu do Tsunami. O acesso ao local do Museu tem um clima de paredes altas das quais desce água imitando o barulho próximo ao pânico de um maremoto. Além disso, um barco de pesca que acabou no telhado de uma casa e metade de navio que foi arrastado pelo maremoto estão servindo para ilustrar o Jardim e o Monumento do Tsunami, motivo de visitação pública.

O turismo aumentou, entre 10% e 15% chegando a milhão de pessoas, mais de 40 mil de estrangeiros. Essa recuperação somente foi possível pela ajuda de 7 bilhões de euros.

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Quanto ao que aconteceu na Índia, há algo especial. É que o maior número de vítimas era de mulheres que esperavam os peixes que chegavam nas redes, o que faziam regularmente no horário fatídico. Por todo lado, casas destruídas, as pessoas dormindo na rua e chorando a morte dos seus queridos.

Dentro desse quadro, a iniciativa foi de ajudar com a distribuição de arroz, iogurte e mais alimentos básicos para 25 mil pessoas entre mulheres, crianças, idosos e pessoas com deficiência. Mas algo foi fundamental: capacitar pessoas para o atendimento à população para lidar com situações catastróficas. A partir de 2011, sistemas de alerta regionais, com base em instalações de boias profundas no Oceano Índico, foram introduzidos, aos poucos, até cobrir 24 países. O sistema testado, pela primeira vez, há dois anos em Sumatra, avisou a todos os países em 12 minutos, com excelente resultado. Além disso, cada país criou o seu centro de alerta próprio.

Segundo a FAO, o custo dos desastres na região englobando a Ásia e o Pacífico foi de cerca de US$ 24 bilhões ao ano, entre 2001 e 2010.

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Agora, porém, as lições aprendidas contribuíram para que os países se preparassem para enfrentar desastres futuros, pois aprenderam sobre os danos agrícolas, segurança alimentar e nutrição.

Segundo Hiroyuki Konuma, diretor-geral adjunto da FAO, também representante regional para a Ásia, "O que nós e nossos países aprendemos e o que temos realizado é impressionante, mas há muito o que se pode e se deve fazer para prevenir e mitigar os desastres". A reconstrução está em marcha acelerada e rende frutos. #Natureza #Crise